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São Paulo

Ministra do STJ questiona estrutura precária para acolhimento de crianças vulneráveis em Ribeirão Preto

Nancy Andrighi destaca condições inadequadas do Saica em debate sobre adoção urgente de menino com hidrocefalia.

Por 15/10/2026 às 01h22

A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi levantou questionamentos sobre a falta de estrutura adequada para acolher crianças em situação de vulnerabilidade no Serviço de Acolhimento Institucional de Crianças e Adolescentes (Saica) de Ribeirão Preto (SP). O debate ocorreu na terça-feira (13) durante a sessão da Terceira Turma que analisava um recurso contra uma decisão judicial de adoção urgente de um menino de 4 anos com hidrocefalia.

O menino foi encaminhado à adoção devido às condições precárias do abrigo municipal, que foi alvo de investigações da Defensoria Pública e do Ministério Público. Entre os problemas apontados estão superlotação, insuficiência de funcionários e casos de violência física e sexual dentro da instituição. A Prefeitura de Ribeirão Preto já foi condenada por omissão, inclusive sendo obrigada a indenizar uma jovem que sofreu falta de cuidados pós-operatórios no abrigo.

Localizado no bairro Planalto Verde, o Saica é responsável por acolher crianças e adolescentes afastados da família por determinação judicial, em casos de negligência, abandono ou violência. Embora a Prefeitura tenha promovido uma reforma na Casa 1 da unidade, entregue em agosto, as inspeções da Defensoria indicam que a superlotação e o déficit de equipe permanecem; o imóvel projetado para 18 crianças de até 6 anos abrigava 21, e o quadro de funcionários está com cerca de um terço do número recomendado.

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Durante a sessão do STJ, a ministra Nancy Andrighi ressaltou que, embora as condições do abrigo sejam inadequadas, isso não pode justificar decisões apressadas para recusar acolhimentos ou concluir procedimentos de adoção sem o devido processo legal. Ela destacou que este caso envolve uma criança com hidrocefalia, que requer cuidados médicos frequentes, e enfatizou a responsabilidade do município em resolver as deficiências do serviço.

Na sessão, o relator do processo, ministro Moura Ribeiro, decidiu retirar o recurso da pauta e se comprometeu a contatar diretamente o prefeito de Ribeirão Preto para cobrar providências e melhorias na estrutura do Saica, com o objetivo de garantir o adequado acolhimento das crianças.

Em nota, a Prefeitura afirmou que está realizando uma ampla reestruturação no Saica, com modernização dos imóveis, fortalecimento das equipes técnicas e ampliação da assistência à saúde dos acolhidos. Além da reforma da Casa 1, a administração municipal iniciou os trabalhos de revitalização na Casa 2 e incorporou profissionais de enfermagem, psicologia e educação, além de encaminhar um plano de trabalho ao Ministério Público.

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