Brodowski enfrenta infestação de pernilongos em meio a casos de manchas na pele sem causa definida
Cidade registra aumento significativo de mosquitos Culex enquanto investiga coceira e manchas na pele em moradores.
A cidade de Brodowski, no interior de São Paulo, enfrenta uma infestação significativa de pernilongos do gênero Culex, conhecidos como pernilongos comuns. A situação ocorre enquanto as autoridades locais investigam 177 casos de coceira e manchas na pele em adultos e crianças, que não possuem ainda uma causa definida.
A Vigilância Sanitária municipal, com apoio de especialistas em insetos do governo estadual, realizou vistorias que identificaram a predominância desses mosquitos na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Prata, bem como em residências da cidade. O órgão acentuou que o mosquito Culex não é o principal vetor de doenças como dengue, zika ou chikungunya.
Durante a inspeção, a Vigilância Sanitária identificou uma extensa cobertura de aguapés nas lagoas de tratamento de esgoto, que são plantas aquáticas relacionadas à proliferação dos mosquitos. Em resposta, a prefeitura acionou formalmente a Brodowski Saneamento, responsável pela estação, para que adote medidas emergenciais. A empresa informou que realiza diariamente a aplicação de larvicidas e nebulização de inseticidas, principalmente devido ao clima quente e chuvoso que acelera o ciclo de vida dos insetos.
Moradores de diversos bairros relataram aumento expressivo de pernilongos em suas residências, dificultando o conforto e atividades diárias. Uma situação exemplar é a relatada por Débora Puga Nobile, que enfrenta a presença dos mosquitos em todos os cômodos da casa há quase um mês, mesmo utilizando venenos e repelentes, que já se encontram escassos.
Os comerciantes da cidade também notaram a situação. Um supermercado local registrou grande aumento na procura por repelentes e inseticidas a ponto de algumas prateleiras ficarem vazias temporariamente. Devido à alta demanda, o estabelecimento teve que aumentar as compras desses produtos, embora os fornecedores ainda sinalizem possível falta devido ao volume de pedidos na região.
Além dos mosquitos Culex, em menor quantidade foram encontrados mosquitos do gênero Mansonia, que também utilizam plantas aquáticas como o aguapé para seu ciclo reprodutivo. Segundo o biólogo Marcelo Mestriner, professor do Centro Universitário Barão de Mauá, apesar da ligação entre essas plantas e os mosquitos, fatores como chuva, calor e água parada em terrenos e obras somam-se como influências mais significativas na proliferação dos insetos.
Quanto aos casos de coceira e manchas na pele, iniciados em 29 de setembro e que levaram ao fechamento temporário de 13 escolas e creches para higienização, não foram atribuídos oficialmente à infestação de pernilongos pela prefeitura, que descartou o diagnóstico de sarna humana até o momento. A situação permanece sob investigação.
Recomendações e ações em curso
A prefeitura solicitou avaliação da Cetesb e realiza mapeamento das possíveis áreas de criadouros de mosquitos na cidade. A Brodowski Saneamento mantém a aplicação diária de larvicidas e inseticidas na estação de tratamento, além de monitoramento constante das lagoas com aguapés.
Especialistas destacam que a repetição frequente do uso do mesmo tipo de inseticida pode contribuir para o desenvolvimento de resistência nos mosquitos, reforçando a necessidade de alternativas no controle. A população é orientada a usar repelentes e evitar acúmulo de água parada para prevenir picadas e reações alérgicas.