Flávio Bolsonaro vota a favor do fim da escala 6×1, mas evita debate sobre a PEC no Senado
Senador Flávio Bolsonaro apoia a PEC que acaba com escala 6×1, comparece apenas à votação e mantém defesa de flexibilidade nas contratações.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou favoravelmente à proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1, aprovada pelo Senado Federal em 14 de outubro de 2026. Apesar de manifestar apoio à medida, Flávio participou apenas da sessão de votação e não marcou presença nas cinco sessões de discussão do texto, realizadas em formato semipresencial que permitia participação remota dos senadores.
A PEC foi aprovada em primeiro turno com 75 votos favoráveis e um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), e teve a votação concluída em segundo turno pelo Senado. A decisão do senador Flávio Bolsonaro ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, depois de meses em que ele expressou críticas à proposta, sugerindo preocupações com possíveis impactos no emprego e nas finanças das empresas.
Na terça-feira antes da votação, após visitar o pai, ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, Flávio anunciou seu voto favorável, destacando que, em sua avaliação, a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o fim da escala 6×1.
Flexibilidade na jornada e contratos proporcionais
Embora tenha apoiado a PEC, Flávio Bolsonaro mantém uma posição distinta quanto à forma de organização da jornada de trabalho. Ele defende maior flexibilidade nas contratações, uma ideia respaldada por proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena sua campanha presidencial.
O texto alternativo sugere contratos com remuneração proporcional às horas trabalhadas e a possibilidade de diferentes distribuições da jornada, permitindo que a redução de carga horária venha acompanhada de corte proporcional na remuneração. Em contraste, a PEC aprovada pelo Senado estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e proíbe redução salarial.
Além disso, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais, a proposta de Rogério Marinho poderá ser submetida à votação em 2027.
Críticas de parlamentares e movimentos sociais
Erika Hilton (PSOL-SP), uma das articuladoras da redução da jornada no Congresso, criticou a posição ambígua da campanha de Flávio Bolsonaro, alertando para a possibilidade de revisão das novas regras de trabalho após as eleições caso ele seja eleito presidente. Hilton participou da mobilização que impulsionou a pauta no Legislativo e apresentou uma proposta de jornada de quatro dias de trabalho por três de descanso.
A PEC aprovada estabelece a escala 5×2, resultado de negociações ao longo da tramitação. Com a conclusão das duas votações no Senado, a proposta agora seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional. O processo de implementação será gradual, começando com a redução para 42 horas semanais, e posteriormente atingindo o limite de 40 horas, no prazo total de 14 meses.