Viridis avança projeto de extração de terras raras em Minas Gerais com investimento de US$ 450 milhões, mas encontra resistência local
Com previsão de iniciar operações em 2028, mineradora australiana enfrenta protestos e questões ambientais em Poços de Caldas.
A mineradora australiana Viridis está caminhando com seu projeto para a extração de terras raras em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, mesmo diante da resistência de moradores locais. O investimento total previsto é de US$ 450 milhões, com a empresa planejando iniciar as operações em 2028.
O projeto Colossus visa a extração e processamento de elementos de terras raras — como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — que são essenciais para ímãs de alta intensidade utilizados em motores elétricos, geradores eólicos e equipamentos médicos. A Viridis firmou acordo comercial com a belga Solvay para o refino dos materiais extraídos.
Segundo Klaus Petersen, diretor-executivo da Viridis Brasil, a operação removerá quimicamente as terras raras da argila, transformando-as inicialmente em carbonato. A Solvay na França será responsável pelo processamento final e o fornecimento à comunidade europeia. A empresa obteve a licença prévia em dezembro de 2025 e aguarda autorização para iniciar as obras.
Em setembro, o BNDES liberou um financiamento de R$ 77,5 milhões para o desenvolvimento industrial, incluindo plantas demonstrativas de reciclagem e separação de óxidos, que se somam ao capital do projeto. O empreendimento ocupará uma área de 400 hectares, com movimentação esperada de cerca de 5 milhões de toneladas de argila iônica por ano, de onde serão extraídos 2 a 3 kg de terras raras por tonelada de argila.
Os moradores da região manifestaram preocupação sobre os impactos ambientais, principalmente a proximidade da mineração com áreas residenciais, podendo chegar a 300 metros das casas. Eles destacam o risco de poluição por poeira, contaminação da água e efeitos cumulativos que ainda estariam sendo avaliados. A Viridis afirmou que adotará medidas de mitigação, como cercas vegetais e trabalho a úmido para reduzir a poeira, e que está aberta à revisão do plano para minimizar impactos próximos às residências.
Um relatório de comitiva interministerial do governo federal, divulgado em setembro, apontou riscos socioambientais relevantes, incluindo exposição a elementos radioativos e metais pesados, agravados pela presença de áreas nucleares próximas, como a mina de urânio em descomissionamento de Caldas. Em resposta, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União solicitou processo de auditoria operacional das autoridades envolvidas na autorização e fiscalização do projeto.
Petersen afirmou que o processo de extração utilizado possui mecanismos rigorosos para evitar a contaminação dos recursos hídricos, com grande parte dos investimentos direcionados à recuperação e filtragem da água utilizada.
A perspectiva é que a operação tenha uma vida útil inicial de pelo menos 40 anos, podendo chegar a 200 anos. No entanto, a expansão dessa atividade gera debate sobre os efeitos ambientais e sociais regionalmente, envolvendo diversos projetos na região sul de Minas Gerais, onde municípios como Poços de Caldas e adjacentes enfrentam a pressão da nova corrida por minerais estratégicos.