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Piauí

Advogada cria negócio para ajustar rotina após diagnóstico de autismo do filho

Maternidade e autismo impulsionam reinvenção profissional e criação de negócios que conciliam cuidados com carreira.

Por 14/10/2026 às 21h02

A maternidade transformou a rotina profissional de Alicianni Moraes, advogada piauiense que decidiu se afastar da carreira tradicional após o filho João ser diagnosticado com autismo aos 2 anos. Diante das demandas diárias de terapias e acompanhamentos, ela optou por se reinventar, conciliando a produção caseira de doces com os cuidados necessários para o desenvolvimento do filho.

Em entrevista à TV Clube, Alicianni destacou que a nova forma de trabalho surge da busca por maior flexibilidade. “Eu em casa, adorava cozinhar, fazer bolos, pudins, então isso aqui já é uma terapia para mim. Então busquei algo dentro dos meus limites, dentro da agenda do João, conciliar com a minha agenda profissional”, explicou.

O relato de Alicianni é semelhante ao de outras mulheres no estado. A empresária Deyse Medeiros, também mãe de uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça que as necessidades intensivas de acompanhamento terapêutico dificultam a permanência em empregos formais, incentivando o empreendedorismo como alternativa viável.

Leia também: Construtora no Piauí enfrenta ação do MPT por jornadas excessivas e falta de folga aos funcionários

Impactos da maternidade na carreira

Uma pesquisa da consultoria Fesa Group, realizada entre janeiro e fevereiro de 2026, revelou que 59,1% das executivas mães relataram impactos negativos em sua trajetória profissional após o nascimento dos filhos. Essa estatística destaca desafios comuns que muitas mulheres enfrentam ao tentar equilibrar carreira e maternidade, especialmente em casos que demandam cuidados especiais.

Proteção legal para gestantes e mães

A advogada Barbara Santana ressalta que a legislação brasileira garante inúmeros direitos para grávidas e mães, como proteção contra demissão sem justa causa, intervalos para amamentação, consultas pré-natais sem prejuízo salarial, entre outros benefícios. Ela enfatiza que essas normas visam assegurar que mulheres não sofram discriminação no ambiente de trabalho.

Em casos onde haja suspeita de tratamento discriminatório, a orientação é que a trabalhadora reúna documentos comprobatórios e busque assistência jurídica. “Se realmente for detectado algum tipo de discriminação, as empresas podem sofrer multas, penalidades e, em casos extremos, até fechamento”, alerta a advogada.

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