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Empresas

Citi mantém avaliação neutra para Hapvida e revisa estimativas após valorização das ações

Banco cita ausência de recuperação operacional clara na Hapvida e projeta resultados pressionados para o terceiro trimestre de 2026.

Da 14/10/2026 às 17h24

O banco Citi divulgou relatório indicando que, apesar da recente valorização das ações da Hapvida (HAPV3), a recuperação operacional da empresa ainda não é evidente. A instituição financeira reviu para baixo suas estimativas de lucro para 2026 e 2027, ajustou o preço-alvo para R$ 10 por ação e manteve recomendação neutra, classificando o papel como de risco elevado.

Segundo o Citi, o interesse recente do mercado pela Hapvida está associado a características da empresa, como elevada alavancagem financeira, e ao potencial benefício decorrente da redução dos juros e dos spreads de crédito. O banco destaca que aproximadamente 65% do valor da companhia está representado por dívidas, o que favorece teses que apostam numa transferência de valor dos credores para acionistas, caso o ambiente de juros se torne mais favorável.

Desafios operacionais e resultados do terceiro trimestre

O banco ressalta que os principais desafios operacionais da Hapvida permanecem, sem sinais claros de uma reversão estrutural. Para o terceiro trimestre de 2026, o Citi projeta cenário semelhante ao do período anterior, com pressões adicionais por conta da reestruturação da base de beneficiários.

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A empresa começou a revisar cerca de 1 milhão de clientes considerados pouco rentáveis, processo que deve impactar receita e gerar custos de desligamento no curto prazo. A estimativa é de perda líquida de 91 mil vidas no trimestre e desaceleração do crescimento da receita para 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além disso, o banco prevê aumento da utilização dos planos de saúde e crescimento das despesas relacionadas à reestruturação, o que deverá pressionar o índice de sinistralidade médica (MLR), esperado em alta de 80 pontos-base em relação ao trimestre anterior.

Esses fatores devem resultar em compressão da margem Ebitda ajustada para cerca de 5,9%, mantendo os lucros normalizados em território negativo, assim como um consumo recorrente de caixa livre para acionistas estimado em torno de R$ 100 milhões no período.

Impacto da recompra de debêntures e revisão das projeções

Entre os poucos pontos positivos assinalados pelo Citi está a recompra de aproximadamente R$ 250 milhões em debêntures com desconto de 23%, operação que deve gerar ganho relevante no resultado contábil. Contudo, o banco ressalta que este efeito é pontual e não está incorporado nas estimativas operacionais.

Com atualização do modelo antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o Citi reduziu suas projeções de lucro em 5% para 2026 e 12% para 2027, refletindo expectativas mais conservadoras para crescimento de receita e margens.

Perspectiva cautelosa apesar das expectativas positivas

O Citi conclui que a recente recuperação das ações parece estar atrelada mais a expectativas macroeconômicas do que a melhorias concretas nos fundamentos operacionais da Hapvida. A instituição mantém uma postura prudente, ressaltando que a melhora consistente da companhia dependerá de sinais claros de recuperação operacional, redução do consumo de caixa e progressos na estratégia de venda de ativos.

Diante da ausência desses indicadores nos resultados recentes, a tese de investimento permanece fundamentada principalmente na esperança de melhora do ambiente macroeconômico, especialmente a queda de juros, e não em uma virada confirmada da performance da empresa.

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