Universidades particulares proíbem manifestações políticas internas por razões de segurança
Mackenzie e PUC-Rio barram atos pró-Lula e pró-Flávio Bolsonaro dentro dos campi para preservar a integridade da comunidade acadêmica.
Em meio ao acirramento do clima político e à aproximação do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, duas renomadas instituições privadas de ensino superior notificaram a proibição de manifestações político-partidárias em seus campi. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) decidiram vedar eventos organizados por grupos de estudantes que expressassem apoio às candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
As reitorias justificaram a decisão como uma medida necessária para preservar a segurança, integridade física e o bem-estar das comunidades acadêmicas, especialmente diante de convocações feitas por meio das redes sociais sem autorização prévia das instituições.
Cancelamento de atos na PUC-Rio
Na PUC-Rio, o vice-reitor Renato Callado assinou uma nota oficial anunciando o cancelamento de todos os eventos político-partidários no campus até o fim do período eleitoral. Essa decisão foi divulgada na segunda-feira, 12 de outubro, véspera de manifestações pró-Lula e pró-Bolsonaro marcadas para ocorrerem nas dependências da universidade.
Os grupos envolvidos eram o “A PUC também é nossa”, formado por estudantes simpatizantes de Flávio Bolsonaro e que organizava uma manifestação contrária às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e aos gastos públicos, incluindo a entrega de um documento à vice-reitoria solicitando maior pluralidade no ambiente universitário, e o coletivo “PUC-Rio Antifascista”, que promovia um evento de apoio à candidatura de Lula.
Mesmo com a proibição, as manifestações foram realizadas fora do campus. No entanto, houve troca de acusações entre os grupos, incluindo um episódio de deboche por parte de integrantes bolsonaristas em relação à memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 e ex-aluna da PUC-Rio. O influencer Breno Faria, que participou do ato e foi candidato a deputado federal pelo PL, fez declarações ofensivas que geraram repercussão. A filha de Marielle Franco, Luyara, repudiou o episódio nas redes sociais, destacando tratar-se de violência política e desrespeito à memória da mãe.
A reitoria da PUC-Rio reiterou seu compromisso com a segurança e integridade física e moral de todos os membros da comunidade acadêmica.
Medida semelhante no Mackenzie
Na Universidade Presbiteriana Mackenzie, localizada em São Paulo, o reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos assinou comunicado proibindo qualquer atividade partidária no campus de Higienópolis. A proibição foi adotada após o grupo “Mackenzie com Lula” convocar uma assembleia de apoio ao candidato petista nas proximidades da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
A direção da instituição salientou ter recebido manifestações de preocupação de integrantes da comunidade acadêmica a respeito do evento e observou a falta de autorização para a realização da assembleia, optando assim pela restrição visando garantir a segurança no ambiente universitário.