Manifestações acaloradas marcam debate político em frente à PUC-Rio após veto a eventos eleitorais
Grupos políticos opostos entraram em confronto verbal diante da PUC-Rio, após universidade proibir atos político-partidários no campus.
Manifestações de apoiadores de diferentes espectros políticos resultaram em bate-boca e troca de ofensas nesta terça-feira (13), em frente à PUC-Rio, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. Os grupos se encontraram na rua após a universidade ter anunciado, no dia anterior, a proibição de eventos político-partidários em seu campus durante o período eleitoral, visando preservar a segurança da comunidade acadêmica.
Os manifestantes se dividiram nas imediações da universidade, na Rua Padre Leonel Franca, com um grupo bolsonarista utilizando um carro de som próximo à entrada, e outro grupo de esquerda reunido nas redondezas da porta principal. Durante os protestos, houve gritos de ordem e provocações mútuas entre os dois lados.
Comentários polêmicos sobre Marielle Franco
Durante a mobilização, o influenciador Breno Faria, conhecido como “Café com Teu Pai” e candidato a deputado federal pelo Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026, fez provocações com termos considerados ofensivos sobre a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. De cima do carro de som, ao lado dos vereadores Rogério Amorim e Rafael Satiê, ambos do PL, Breno afirmou que Marielle poderia estar “no colo do capeta” e teceu provocações relacionadas à ausência do pai.
Enquanto isso, manifestantes de esquerda entoavam o grito “Marielle, presente”. A fala do influenciador foi registrada em vídeo e amplamente divulgada nas redes sociais.
Contexto e histórico
Marielle Franco, falecida em 14 de março de 2018, foi vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, formada em Ciências Sociais pela própria PUC-Rio e reconhecida por sua atuação em segurança pública. O Instituto Marielle Franco manifestou-se criticando a zombaria em relação à sua morte e ressaltou a importância da trajetória acadêmica e política da ex-vereadora.
Rogério Amorim, presente no carro de som durante o episódio, é irmão do deputado estadual Rodrigo Amorim, conhecido nacionalmente por ter quebrado uma placa em homenagem a Marielle Franco durante a campanha eleitoral de 2018, fato que causou repercussão naquele ano.
Posicionamento da PUC-Rio e dos grupos convocantes
A PUC-Rio comunicou que vetaria eventos político-partidários em seu campus até o fim das eleições como medida preventiva para garantir a segurança e convivência pacífica de seus membros. Em nota, reafirmou seu compromisso com o diálogo, respeito às diferenças e a promoção de ambiente plural.
O movimento “A PUC também é nossa”, ligado à autodenominada Liga da Juventude Livre, havia agendado um ato para defender maior espaço para diferentes posições políticas na universidade, mas, após a proibição, transferiu a manifestação para área pública em frente ao campus. Reafirmou compromisso com a vedação à campanha eleitoral, repúdio a discursos de ódio e descarto de violência.
O grupo “PUC Antifascista” também convocou atividade interna na universidade, voltada para leitura e debates com a orientação para uso de roupas vermelhas.
Eleição presidencial e manifestações
As manifestações ocorreram em contexto de forte polarização política no segundo turno da eleição presidencial de 2026, que tem como candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A mobilização deste dia reflete a tensão crescente entre os apoiadores dos dois candidatos.
Até o momento da publicação, não houve resposta de Breno Café com Teu Pai ou da PUC-Rio sobre as ocorrências.