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Incêndios crescem 253% na Amazônia em outubro devido a El Niño e clima alterado

Fenômeno climático e ações humanas elevam focos de fogo e comprometem saúde e ambiente na região do Amazonas.

Da 14/10/2026 às 12h48  ·  Atualizado em 14/10/2026 às 12h49

O fenômeno climático El Niño, aliado às mudanças climáticas e à atividade humana, tem impulsionado um aumento expressivo dos incêndios na região amazônica, especialmente no estado do Amazonas, em outubro de 2026. Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam que foram registrados 1.679 focos de incêndio nas duas primeiras semanas do mês, representando um crescimento de 253% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A situação tem se mostrado crítica e atípica para o período, já que tradicionalmente agosto e setembro marcam o ápice da estação seca, quando os incêndios enfrentam maior dificuldade para controle, e o início das chuvas em outubro costuma amenizar os focos. Porém, neste ano, as precipitações estão demorando a acontecer, agravando o cenário.

Esses incêndios, em sua maioria supostamente provocados propositalmente para abertura de novas áreas para agricultura e pecuária, têm afetado a qualidade do ar, causando problemas respiratórios nos moradores e motivando o cancelamento de eventos públicos e fechamento de escolas, sobretudo na capital Manaus, que possui mais de 2 milhões de habitantes.

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O agricultor aposentado Luiz Rios, residente no município de Autazes, relatou dificuldades respiratórias que fizeram seu rosto inchar, evidenciando os efeitos da fumaça proveniente das queimadas. Ao menos 36 municípios do Amazonas decretaram estado de emergência em razão da situação.

Cientistas como Carlos Durigan, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, destacam que o estresse hídrico e térmico causados por El Niño, que este ano pode ser o mais intenso já registrado, combinados às mudanças climáticas, criam um ambiente extremamente perigoso para a biodiversidade local, a saúde humana e a produtividade agrícola tanto em zonas rurais quanto urbanas.

Em resposta, o governo federal e a Defesa Civil mobilizaram aeronaves e brigadas especializadas para o combate às chamas. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, realizou um sobrevoo e identificou incêndios dentro de áreas de floresta protegida, o que reforça a suspeita de que parte dos focos tenha sido iniciada de forma criminosa. Uma investigação foi anunciada pelo ministério.

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