Polícia Civil realiza operação contra organização criminosa que controlava tráfico de drogas de dentro de prisões no Paraná
Investigação descobriu facção com controle estruturado sobre pontos de venda de drogas e punição de 'traidores' nas prisões.
A Polícia Civil do Paraná deflagrou uma ampla operação nesta quarta-feira (14) contra uma organização criminosa considerada “sem fronteiras” que controlava o tráfico de drogas de dentro de penitenciárias. A investigação teve início após a apreensão de três aparelhos celulares na penitenciária de Clevelândia, localizada no sudoeste do estado.
O grupo é suspeito de envolvimento em diversos crimes, incluindo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, tortura e cárcere privado de pessoas acusadas de ‘traição’ pelos integrantes da facção.
Cerca de 500 policiais foram mobilizados para cumprir 215 mandados judiciais distribuídos em 20 cidades do Paraná, além de municípios em Santa Catarina e São Paulo. Foram emitidos 95 mandados de prisão e 120 de busca e apreensão. Até a manhã do dia 14 de outubro, 92 pessoas haviam sido presas e outras nove detidas em flagrante.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, armas, munições e drogas. Em uma das diligências, uma estufa com dezenas de pés de maconha foi encontrada. Os mandados judiciais ainda resultaram na prisão de uma advogada criminal em Realeza, suspeita de ser esposa de um dos integrantes da facção.
Controle do tráfico e punições internas
A investigação revelou que a organização criminosa comandava pontos de venda de drogas à distância, utilizando-se de depósitos para armazenar entorpecentes e atuando no transporte de drogas entre várias cidades. Os líderes, que permanecem detidos em penitenciárias, negociavam a distribuição de grandes quantidades de cocaína, crack e maconha, definindo preços tabelados para a venda.
Segundo a delegacia responsável, o grupo tinha uma estrutura organizada dentro dos presídios, com cargos e funções específicas. Havia um setor encarregado de fiscalizar o cumprimento das regras internas e de julgar presos considerados infratores, aplicando castigos físicos como forma de punição.
Para manter comunicação entre as lideranças e o mundo exterior, membros da organização faziam circular celulares e roteadores entre as celas. Familiares e colaboradores também auxiliavam, levando drogas escondidas durante as visitas aos detentos.
Movimentação financeira da facção
Os recursos financeiros obtidos por meio do tráfico eram transferidos por PIX para contas em nome de terceiros alheios à facção. Além disso, havia uma empresa de fachada responsável pelo recebimento de pagamentos referentes às cargas de drogas, com tudo registrado em planilhas de controle financeiro.
Locais onde a operação foi realizada
Os mandados judiciais foram cumpridos nos seguintes municípios paranaenses: Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antônio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste. Em Santa Catarina, a operação ocorreu em Abelardo Luz. Em São Paulo, as cidades de São Carlos e Cotia foram abrangidas pelas diligências.