Como a água percorre mais de 700 km até as Cataratas do Iguaçu e faz a vazão aumentar milhões de litros
A vazão do Rio Iguaçu às Cataratas ultrapassou 15 milhões de litros por segundo, influenciada por chuvas na bacia que se estende de Curitiba a Foz do Iguaçu.
O Rio Iguaçu nasce na Região Metropolitana de Curitiba e atravessa o Paraná até desaguar nas Cataratas do Iguaçu, localizadas em Foz do Iguaçu. Recentemente, a vazão das quedas atingiu 15,7 milhões de litros por segundo, valor que supera em mais de dez vezes a média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo, segundo dados medidos às 8h do dia 14 de outubro de 2026.
Origem e percurso das águas
A água que alimenta as quedas das Cataratas não depende apenas das chuvas locais, mas principalmente das precipitações que ocorrem ao longo dos mais de 700 quilômetros da bacia do Rio Iguaçu. A bacia é composta por diversos rios e córregos que deságuam no Rio Iguaçu durante seu trajeto de leste a oeste do Paraná.
O gerente de sustentabilidade da Urbia+Cataratas, André Franzini, explica que a água proveniente das chuvas em diferentes regiões do estado chega ao Rio Iguaçu por meio de tributários, sendo assim acumulada até alcançar as Cataratas.
Monitoramento e cálculo da vazão
A vazão, que é a quantidade de água que passa por determinado trecho do rio em um intervalo de tempo, é monitorada em vários pontos ao longo do Rio Iguaçu, incluindo as usinas hidrelétricas instaladas em seu percurso. Equipamentos instalados no leito do rio medem o nível da água, permitindo estimar o volume de litros por segundo que passa em cada local.
Um dos principais locais de monitoramento é em Porto Capanema, no sudoeste do Paraná, antes da chegada das águas às Cataratas. Além desse ponto, outras usinas, como Baixo Iguaçu, Salto Caxias, Salto Osório e Salto Santiago, fornecem dados que ajudam a acompanhar as variações de vazão e prever eventos de cheia.
Tempo de percurso da água até as Cataratas
O tempo que a água leva para percorrer o rio desde os pontos monitorados até as Cataratas varia de acordo com o volume e a velocidade da correnteza. Em condições normais, a água que passa por Porto Capanema chega nas quedas em aproximadamente 12 horas. Durante períodos de cheia, esse tempo pode reduzir para cerca de oito horas, exigindo respostas rápidas das equipes responsáveis pela segurança e operação do parque.
Influência das hidrelétricas
As hidrelétricas localizadas no Rio Iguaçu influenciam no fluxo de água quando liberam o volume armazenado para geração de energia ou por meio dos vertedouros em situações de maior volume. Entretanto, o aumento significativo da vazão das Cataratas está diretamente relacionado às chuvas que ocorrem sobre toda a bacia hidrográfica e não às operações das usinas.
Medidas de segurança diante das cheias
Devido ao aumento da vazão, como ocorreu no dia 11 de outubro de 2026, a passarela das Cataratas do Iguaçu foi interditada por precaução para garantir a segurança dos visitantes. A interdição começou quando a vazão atingiu 8,8 milhões de litros por segundo, sem previsão imediata para reabertura enquanto o volume continuar alto.
Além disso, as equipes de operação do parque passaram a retirar as grades de proteção da passarela para permitir que a água escoe sem causar danos à estrutura. Essa prática preventiva é adotada sempre que há previsão de aumento da vazão e foi semelhante ao procedimento realizado em 2023.
Apesar dos cuidados, o Parque Nacional do Iguaçu permanece aberto aos turistas em outras trilhas, permitindo a observação das quedas em pontos seguros e liberados para visitação.