Pular para o conteúdo
Rio de Janeiro

Investigação revela ostentação e pedidos de ajuda financeira de PM ligado ao Comando Vermelho

Sargento da PM exibia luxo nas redes, mas também solicitava dinheiro a traficante do CV, aponta operação policial no Rio de Janeiro.

Por 13/10/2026 às 21h14  ·  Atualizado em 13/10/2026 às 21h16

Uma operação policial realizada no Rio de Janeiro nesta terça-feira (13) aprofundou as investigações sobre a participação de policiais militares com conexões ao Comando Vermelho (CV), facção criminosa com forte atuação na cidade. A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e com a colaboração do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar, surgiu a partir da análise do telefone celular do sargento Yuri Luiz Desirati Ribeiro.

Yuri, que atuava no batalhão de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, foi preso em outubro de 2023 com mais de 150 quilos de cocaína em um caminhão na Avenida Brasil, no Complexo da Maré. Após o flagrante, as investigações identificaram que, apesar de exibir luxo, como iates, jet skis, dinheiro e passeios de lancha, o policial relatava dificuldades financeiras em mensagens enviadas a Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado como um dos principais líderes do CV no Complexo da Penha.

As conversas mostram Yuri pedindo dinheiro para ‘gasolina para trabalhar’ e outros auxílios financeiros, indicando uma relação forte de dependência e colaboração com a facção criminosa. Além disso, trocava alertas sobre operações policiais, repassando informações estratégicas para o grupo.

Leia também: Dono de bar é morto por policial militar de folga no Cachambi, Zona Norte do Rio

O sargento foi assassinado no dia 12 de julho de 2026, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, com 23 tiros, suspeita-se que a execução tenha ligação com a própria facção. A investigação também aponta para o envolvimento do cabo Erick da Silva Lobato, colega lotado no mesmo batalhão e atualmente foragido das autoridades, que teria oferecido munição a Yuri e é alvo da operação.

Entre os alvos da ação está também Leonardo Aguiar da Silva, conhecido como Nike, responsável pela segurança dos territórios do Comando Vermelho na Baixada Fluminense. A polícia localizou ainda vídeos e imagens nas análises dos aparelhos de celulares que comprovam o tráfico de armas, drogas e a ostentação de bens de luxo por parte dos envolvidos, reforçando a atuação organizada da facção e seu vínculo com agentes públicos.

A operação cumpre sete mandados de prisão e busca fortalecer o enfrentamento às ações criminosas de facções dentro das estruturas policiais, demonstrando a complexidade e os desafios na segurança pública do Rio de Janeiro.

📰 Veja também