Criminosos vendem cadastros falsos para motoristas de aplicativo por até R$ 350 em grupos de mensagens
Grupos de mensagens oferecem contas falsas para motoristas não habilitados ou menores, com promessas de burlar reconhecimento facial dos apps.
Criminosos estão vendendo cadastros falsos para motoristas de aplicativos de transporte por valores que chegam a R$ 350, conforme investigação policial no Rio de Janeiro. As transações ocorrem principalmente em grupos de mensagens, onde são oferecidas contas irregulares para pessoas que não possuem Carteira Nacional de Habilitação (CNH), menores de idade e indivíduos com antecedentes criminais. Os vendedores garantem ter capacidade para burlar os sistemas de reconhecimento facial adotados pelas plataformas, possibilitando o uso de perfis falsos para o trabalho.
Os preços variam conforme o tipo de veículo: para motoristas de carros, o valor cobrado oscila entre R$ 250 e R$ 350, enquanto para motos o anúncio é de R$ 175. O pagamento costuma ser dividido, com metade do valor antecipado e o restante após a finalização do cadastro fraudulento. Além disso, são comercializados documentos veiculares falsificados por cerca de R$ 50 e placas clandestinas por R$ 250.
Acidente em Niterói revela risco do esquema
Em Niterói, um acidente grave evidenciou os riscos dessa prática. Maycon Batista da Silva, de 25 anos, morreu após o carro em que estava colidir com um ônibus. O motorista identificado, Caio Teles Bevenuto Bretas, não possuía habilitação e trabalhava com um cadastro falso no aplicativo, registrado em nome de outra pessoa.
O motorista foi indiciado por lesão corporal em acidente de trânsito, uso de conta falsa e direção sem habilitação. Entretanto, ele não foi localizado para responder ao processo, que está suspenso até sua apresentação à Justiça. A Polícia Civil identificou ainda o homem de São Paulo que teria vendido o perfil falso usado por Caio.
A mãe de Maycon, Maria Luciene Batista, lamenta a perda e cobra justiça, destacando a gravidade de permitir que pessoas sem habilitação conduzam veículos por meio desses perfis fraudulentos.
Fiscalização e medidas das plataformas
A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática monitora a venda desses cadastros, mas reconhece dificuldades para acompanhar todos os grupos fechados onde ocorre o comércio ilegal. A delegada Camila Pegorim alerta que o problema vai além de irregularidades administrativas, configurando possíveis crimes.
As empresas de aplicativos, representadas pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), reforçam que o uso e a comercialização de contas falsas são terminantemente proibidos e podem resultar em punições legais e banimento das plataformas. Elas utilizam mecanismos rigorosos de verificação de documentos, validação de dados e reconhecimento facial, além de manter canais para denúncias e colaboração com autoridades.
A Meta, responsável pelo WhatsApp, declarou que não permite o uso do aplicativo para atividades ilícitas, orientando os usuários a denunciar conversas suspeitas. O WhatsApp pode suspender contas envolvidas no descumprimento dos termos de serviço.
Riscos e consequências do mercado ilegal
O comércio de cadastros e documentos falsos dificulta a fiscalização eficiente, comprometendo a segurança dos passageiros e da sociedade. Viagens realizadas com perfis irregulares acabam fora da cobertura de seguros disponibilizados pelas plataformas e não contam com recursos de segurança como o compartilhamento de trajetos.
Especialistas em crimes cibernéticos explicam que a criptografia de ponta a ponta dos aplicativos de mensagens protege o conteúdo das conversas, dificultando o acesso das plataformas às informações, mas denúncias podem auxiliar na identificação dos envolvidos em fraudes.