Anvisa suspende venda e uso de implantes hormonais da MC Legacy Lab por irregularidades na fabricação
Anvisa bloqueia comercialização de implantes hormonais após empresa vender produtos sem testes e sem receita individualizada.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 13 de outubro de 2026 a determinação de suspensão da comercialização, manipulação, propaganda e uso de todos os lotes de implantes hormonais estéreis produzidos pela empresa MC Legacy Lab Produtos Médicos e Farmacêuticos.
A decisão foi tomada após fiscalização da Anvisa identificar que a MC Legacy Lab comercializava e entregava os implantes antes da conclusão dos testes de esterilidade e endotoxinas, essenciais para garantir a segurança microbiológica dos produtos. Além disso, a empresa manipulava produtos não autorizados e vendia sem prescrições médicas individualizadas, requisito para medicamentos manipulados.
Segundo a agência, os testes de esterilidade são utilizados para detectar a presença de microrganismos que podem causar infecções, enquanto os testes de endotoxinas buscam substâncias bacterianas capazes de provocar reações inflamatórias graves. A liberação dos implantes antes do resultado desses testes significa que os produtos foram distribuídos sem comprovar segurança microbiológica.
Os implantes hormonais em questão, conhecidos popularmente como “chips da beleza”, são pequenos dispositivos implantados sob a pele que liberam hormônios gradualmente. Eles foram promovidos sem comprovação científica para fins como emagrecimento, ganho de massa muscular, melhora da libido e rejuvenescimento.
Em 2024, a Anvisa chegou a suspender amplamente a manipulação e uso de implantes hormonais manipulados, revendo posteriormente a medida para definir regras específicas, entre elas a proibição do uso desses implantes manipulados à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para fins estéticos ou esportivos.
Além de requisitos para manipulação, como a necessidade de receita médica individualizada e registro em sistema nacional, a agência mantém restrições que não se aplicam a implantes industrializados registrados, como anticoncepcionais à base de etonogestrel.
A suspensão da MC Legacy Lab ocorre poucos dias após 12 entidades médicas e científicas publicarem a Carta do Rio de Janeiro, pedindo a proibição da manipulação, comercialização e uso de implantes hormonais manipulados no Brasil. Entre as entidades estão a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
As entidades alertam para a ausência de estudos clínicos que comprovem a segurança e eficácia das formulações usadas, especialmente com combinações hormonais sem avaliações adequadas, além da dificuldade para ajustar a terapia após o implante e potenciais efeitos adversos cardiovasculares, metabólicos e hepáticos.
O posicionamento dessas sociedades não rejeita a terapia hormonal da menopausa com medicamentos aprovados, mas critica a comercialização de produtos manipulados sem avaliação rigorosa. Também solicitam maior fiscalização e responsabilização na cadeia comercial desses implantes.