Jockey Club de São Paulo anuncia plano para quitar dívida milionária e reformular clube
Entidade planeja pagar R$ 228 milhões à vista e construir novo clube e parque público financiados pelo BTG Pactual.
O Jockey Club de São Paulo revelou nesta terça-feira (13) um plano para quitar sua dívida tributária com a Prefeitura da capital paulista, estimada em R$ 871 milhões. A proposta apresentada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em andamento na Câmara Municipal prevê o pagamento de R$ 228 milhões à vista até 30 de outubro, aproveitando descontos concedidos pela administração municipal.
A entidade planeja realizar essa quitação por meio de financiamento obtido junto ao banco BTG Pactual. O projeto inclui a construção de um novo clube privado, com capacidade para 14 mil associados, e um parque público de 85 mil metros quadrados, aproximadamente o equivalente a oito campos de futebol e meio, dentro da área interna das pistas do hipódromo.
Para financiar a reestruturação, o Jockey Club pretende emitir títulos ligados ao empreendimento, arrecadando recursos para quitar o empréstimo contraído junto ao BTG. A proposta busca revitalizar o clube, que já chegou a ter cerca de 8 mil sócios, mas atualmente conta com menos de 600. Segundo o conselheiro administrativo Renato Diniz Junqueira Filho, a reformulação visa ampliar o quadro social e garantir a continuidade das atividades da instituição.
A CPI do Jockey Club foi instaurada em novembro de 2025 para investigar débitos acumulados pela entidade e questionamentos sobre o uso de recursos públicos destinados à preservação do patrimônio histórico. Além das dívidas com a Prefeitura, o passivo total da associação inclui obrigações com a União e empresas, atingindo cerca de R$ 1,3 bilhão.
Este anúncio ocorre após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ter rejeitado o pedido de recuperação judicial do clube em abril de 2026, por entender que a instituição, caracterizada como associação civil sem fins lucrativos, não pode utilizar o mecanismo da Lei de Recuperação de Empresas e Falência. O tribunal também não considerou aplicável a extensão dessa lei por analogia para associações.
O projeto apresentado prevê ainda a criação de um túnel sob a pista de corrida para integrar o parque público às áreas sociais e de lazer do hipódromo, embora detalhes sobre o cronograma de implantação e gestão do parque não tenham sido divulgados na reunião da CPI.