Pular para o conteúdo
Empresas

XP Investimentos antecipa desempenho desigual na temporada de balanços do 3º trimestre de 2026

Corretora prevê resultados positivos para óleo, gás e saúde, enquanto mineração, siderurgia e varejo enfrentam desafios no 3T26.

21/10/2026 às 17h06

A XP Investimentos divulgou suas perspectivas para a temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 (3T26), indicando um cenário de desempenho desigual entre os setores da Bolsa brasileira. A corretora aponta que segmentos como óleo, gás e petroquímicos devem liderar o crescimento operacional, enquanto mineração, siderurgia e varejo enfrentam desafios mais intensos.

No setor de óleo, gás e petroquímicos, a projeção da XP é de uma alta expressiva de 46,6% no EBITDA na comparação anual, impulsionada pelo aumento de 34,2% no preço médio do petróleo Brent durante o trimestre em relação ao mesmo período de 2025. Este setor contribuirá com 13,1 pontos percentuais para o avanço do EBITDA agregado das empresas sob cobertura da XP. Empresas como PRIO (PRIO3), beneficiadas pela produção recorde em novos campos, e Petrobras (PETR3; PETR4), com resultados sólidos e expectativa de crescimento de dividendos apesar da queda projetada no EBITDA, são destaques.

Outras companhias do mesmo setor como Brava (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) podem ter parte dos ganhos do aumento do preço do petróleo equilibrados pela presença de estruturas de hedge. Grandes distribuidoras de combustíveis, como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), devem beneficiar-se indiretamente, dado que os preços domésticos ficaram significativamente abaixo da paridade de importação, favorecendo aquelas com maior dependência dos produtos da Petrobras.

Leia também: Análise do 3º tri de 2026: 6 ações com potencial de alta e 6 que podem decepcionar

O segmento de saúde também deverá apresentar crescimento no EBITDA, estimado em 8,5% em relação ao ano anterior. Operadoras de planos de saúde, empresas de diagnóstico e hospitais devem apresentar resultados positivos sustentados por tendências operacionais favoráveis e aumento do tíquete médio.

Em contrapartida, mineração e siderurgia devem registrar redução de 20,9% no EBITDA versus o 3T25, impactadas por custos elevados, fretes onerosos e preços mais baixos do minério de ferro, especialmente para CSN Mineração (CMIN3) e Vale (VALE3). A Gerdau (GGBR4) é exceção prevista, com crescimento anual do EBITDA em 34%.

O varejo deverá apresentar um desempenho mais fraco, influenciado pela pressão sobre o consumidor e cenário macroeconômico adverso, com 68% das empresas do setor sob cobertura da XP projetando queda da margem EBITDA. Destaques negativos no setor incluem Azzas (AZZA3), Natura (NATU3) e Vivara (VIVA3).

Nos setores de papel e celulose, a Suzano (SUZB3) e a Klabin devem registrar aumento nos volumes vendidos, mas terão ganhos limitados por custos elevados e preços realizados menores.

Na área de telecomunicações, a XP destaca a Vivo (VIVT3) como potencial destaque do trimestre, mantendo crescimento consistente das receitas de serviços móveis, enquanto a TIM (TIMS3) deve apresentar crescimento do EBITDA com expansão das margens, apesar da queda no lucro líquido anual.

Em tecnologia, empresas como TOTVS (TOTS3) e Bemobi (BMOB3) devem ter trimestres sólidos, com crescimento de receitas recorrentes e forte geração de caixa, ao passo que a Intelbras (INTB3) projeta crescimento modesto da receita e aumento do lucro, com margens aguardadas estáveis ou em leve retração em comparação ao trimestre anterior.

O setor imobiliário, em especial a incorporação, poderá enfrentar moderação na atividade, com lançamentos abaixo do esperado, queda nas vendas e aumento dos distratos. Incorporadoras de baixa renda mostram-se relativamente mais resilientes.

De maneira geral, a XP Investimentos conclui que a temporada de balanços do 3T26 deve alternar entre resultados fortes concentrados em poucos setores, enquanto outros setores expressivos enfrentam pressão nos desempenhos operacionais e margens.

📰 Veja também