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Carros

Produção de veículos cai em setembro, mas vendas devem registrar melhor desempenho desde 2014

Produção de veículos tem leve queda em setembro, mas vendas e projeções para 2026 indicam recuperação expressiva no Brasil.

Por redação gnews 12/10/2026 às 22h26
1 de 3 Linha de montagem da fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP)
1 de 3 Linha de montagem da fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP) — Foto: divulgação/Volkswagen

A produção de veículos no Brasil registrou uma queda de 1,1% em setembro na comparação com agosto, enquanto as vendas de veículos zero quilômetro cresceram 2,3% no mesmo período, conforme dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em 7 de outubro de 2026.

Em relação a setembro de 2025, a produção nacional aumentou 10,2%, totalizando 268,3 mil veículos, incluindo carros, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus. No acumulado de janeiro a setembro, a fabricação somou 2,17 milhões, alta de 8,7%.

As vendas em setembro atingiram 281,4 mil unidades, representando crescimento anual de 15,7%. A Anfavea revisou para cima suas projeções para 2026, estimando que o mercado brasileiro fechará o ano com 3,1 milhões de veículos emplacados, o que configura um avanço de 15,2% sobre 2025 e o melhor resultado desde 2014.

A produção nacional deve ultrapassar 2,8 milhões de unidades, o maior patamar desde 2019, com crescimento estimado de 6,7% em relação a 2025. A revisão positiva já havia sido ajustada pelas entidades setoriais ao longo do ano, com destaque para o desempenho do terceiro trimestre.

Exportações em queda e importações em alta

No comércio exterior, as exportações diminuíram 24,2% em setembro frente ao ano anterior, totalizando 39,8 mil unidades exportadas. Já as importações de veículos aumentaram 34,9%, chegando a 57.196 veículos importados no mês.

O recuo nas exportações em 2026 é atribuído à retração do mercado argentino e ao aumento da concorrência de veículos chineses na América do Sul. Até setembro, o Brasil exportou 334 mil unidades, uma queda acumulada de 23%. Essa conjuntura resultou em déficit comercial expressivo para o setor automotivo, com 463,9 mil veículos importados até então, avanço de 30,4%.

Veículos de origem chinesa correspondem a 55% dessas importações e passam a ocupar 11,3% do mercado brasileiro.

Crescimento do mercado interno com desafios estruturais

O avanço nas vendas internas é puxado principalmente pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, que terão expansão de 16,4% no ano. No acumulado de 2026, as vendas de automóveis cresceram 22,5%.

Esse crescimento foi impulsionado por 84 mil unidades a mais no segmento de entrada, influenciado pelo programa Carro Sustentável, e por 242 mil veículos eletrificados vendidos, com destaque para a triplicação das vendas de elétricos puros, que atualmente representam 20,1% dos registros de veículos leves zero quilômetro.

No entanto, o segmento de veículos pesados deve encerrar 2026 com retração de 6,5%. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressaltou que parte do aumento da produção se deve à montagem de veículos importados em kits desmontados (SKD e CKD), que demandam pouca mão de obra e não utilizam amplamente o parque de autopeças nacional.

Segundo Calvet, dos 173 mil veículos adicionais produzidos este ano em comparação a 2025, 123 mil correspondem a veículos montados a partir desses kits.

O dirigente também destacou a necessidade de uma agenda de ajuste fiscal independentemente do resultado das eleições presidenciais para manter o equilíbrio econômico do país. A Anfavea não demonstra posicionamento quanto aos candidatos na corrida eleitoral.

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