Fundador do Waze destaca potencial do Brasil para empreendedorismo apesar da complexidade
Uri Levine afirma que o Brasil não é hostil para empreender e vê oportunidades no mercado local, lançando academia de startups no país.
Uri Levine, cofundador do Waze e um dos primeiros investidores do Moovit, compartilhou suas impressões sobre o ambiente de empreendedorismo no Brasil em entrevista à Folha. Com 61 anos e base em Israel e Espanha, Levine diz que aprecia a simplicidade nos negócios, algo que, segundo ele, não é comum no Brasil. Mesmo assim, enxerga o país como uma oportunidade promissora para empreendedores e investidores.
Ele rejeita a ideia de que o Brasil seja hostil para empreender ou que os ciclos de vendas sejam mais longos do que em outros mercados. “Não é hostil. É complexo, sim. Mas nem é o mais complexo [do mundo]. Pense na Índia, que tem 38 línguas formais diferentes. Ser complexo pode ser uma vantagem porque inibe a concorrência e desestimula a entrada de empresas estrangeiras”, afirmou Levine.
O fundador do Waze avalia que vender é um desafio constante, mas o ciclo de vendas no Brasil não é mais longo. Para ele, o importante é criar valor para o cliente, citando que “retenção é a única métrica que importa”. Essa visão é fruto de sua experiência com startups já consolidadas no mercado global: além do Waze e Moovit, Levine investe em empresas como FairFly, Refundit, Pontera, SeeTree e Fibo.
Demonstrando vínculo com o mercado brasileiro, Levine visita o país com frequência e destaca que a edição brasileira de seu livro “Apaixone-se pelo Problema, Não pela Solução” superou as vendas da versão original em inglês. Seu segundo livro, “O Simples Vence: Foco e o Que Não Fazer se Você Quiser Ser Um Empreendedor de Sucesso”, foi lançado exclusivamente em português.
Para fomentar o ecossistema local, criou a Uri Levine Startup Academy — uma escola de empreendedorismo com aulas online voltada exclusivamente para o Brasil, com objetivo de formar 100 mil empreendedores.
Visão sobre inovação e mercado brasileiro
Levine defende que buscar inovações radicais pode estar supervalorizado. Segundo ele, a maioria das pessoas prefere soluções que funcionem bem ao invés de mudanças radicais: “O grupo de inovadores é pequeno. A maioria tem medo de mudanças e quer algo que funcione bem. O ‘bom o suficiente’ sempre vai vencer”.
Ele também ressalta que o Brasil é um país grande, social e muito interativo, onde aplicativos como WhatsApp e Instagram são muito populares, fomentando a comunicação entre as pessoas. Isso contribui para um ecossistema de startups menos saturado, tornando-o lucrativo para novos empreendedores.
Levine conclui destacando sua experiência como empreendedor e professor em instituições como IE University em Madri e Universidade de Tel Aviv. Esse background reforça seu compromisso com a formação e apoio a novos negócios no Brasil.