Meta amplia investimentos em inteligência artificial e cria nova classe de ações sem voto
Empresa anuncia aumento nos gastos com IA para até US$ 145 bilhões em 2026 e lança ações que não dão direito a voto para promover expansão.
A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, anunciou nesta quarta-feira (21) uma elevação na projeção de investimentos em inteligência artificial para o ano de 2026, elevando o total previsto para um intervalo entre US$ 135 bilhões (R$ 678,2 bilhões) e US$ 145 bilhões (R$ 728,5 bilhões), acima do piso anterior de US$ 130 bilhões (R$ 653,1 bilhões). A divulgação ocorreu durante a apresentação do balanço trimestral da empresa.
Além disso, a companhia anunciou a criação de uma nova classe de ações sem direito a voto. Estes papéis serão distribuídos aos atuais acionistas por meio de dividendos em ações na proporção de duas ações antigas para uma nova. A negociação dos novos títulos deve iniciar em janeiro e eles serão utilizados para captação de recursos, remuneração de funcionários e possíveis aquisições.
Confiança na tecnologia e resultados financeiros
O CEO Mark Zuckerberg destacou, no relatório, que os investimentos na área de IA estão mostrando resultados, afirmando que o negócio principal da empresa permanece sólido e que há ganhos de velocidade em diferentes frentes. O executivo enfatizou o sucesso do agente de inteligência artificial Muse, lançado em setembro, que já foi utilizado por mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e Canadá em seis semanas de funcionamento.
O Muse é descrito como capaz de automatizar tarefas cotidianas como compras, marcação de compromissos e aquisição de ingressos, posicionando-se no mesmo patamar de sistemas como o ChatGPT, da OpenAI. A Meta espera manter o uso gratuito do Muse para a maioria dos usuários, gerando receita com transações corporativas e assinaturas para usuários avançados.
Lucratividade e estratégias para o futuro
A empresa prevê que, com melhorias na eficiência computacional, o Muse será altamente lucrativo nos próximos anos. No terceiro trimestre, a Meta reportou receita de US$ 64,6 bilhões (R$ 324,5 bilhões), alta de 26%, superando estimativas. O lucro por ação também superou projeções, chegando a US$ 3,83 (R$ 19,24).
A companhia está direcionando esforços para o desenvolvimento de uma plataforma empresarial de IA, liderada por CJ Desai, que venderá acesso a seus modelos e serviços de inteligência artificial. Enquanto amplia os investimentos em IA, a Meta também realiza cortes em outras áreas, com redução de 15% no quadro de funcionários e expectativa de diminuição das perdas na divisão Reality Labs, voltada para hardware.
Por fim, a nova classe de ações foi apresentada como forma de garantir a liderança do CEO Mark Zuckerberg na condução da empresa rumo à “próxima era”.