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Greve de 3 meses na Maternidade Maria Amélia denuncia más condições e salários

Profissionais da maternidade reivindicam reajuste salarial e melhores condições, enquanto Prefeitura contrata médicos PJ para manter atendimento.

Médicos obstetras e pediatras da Maternidade Municipal Maria Amélia Buarque de Holanda, localizada no Complexo do Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio, estão em greve há cerca de três meses. A paralisação, que teve início em 13 de julho, ocorre por reivindicações de reajuste salarial, melhores condições de trabalho e infraestrutura adequada para descanso dos profissionais.

A greve mantém os atendimentos de urgência e emergência, mas suspende os procedimentos eletivos. Segundo relatos dos médicos da unidade, profissionais contratados recentemente em regime de pessoa jurídica (PJ) receberam salários até 70% maiores que aqueles com carteira assinada.

O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed-RJ) informou que as negociações com a Secretaria Municipal de Saúde e a administração da maternidade não avançaram, e a última reunião aconteceu em 28 de outubro, encerrando-se sem acordo. A Prefeitura ofereceu a retomada de uma gratificação que havia sido retirada, rejeitada pelos médicos.

Segundo uma médica que atua na unidade, as condições de trabalho pioraram em 2023, quando obras de "melhorias" — relacionadas à Parceria Público-Privada firmada entre o Complexo Hospitalar Souza Aguiar e o Consórcio Smart Hospital — impediram o uso do refeitório e do estacionamento pelos funcionários.

A maternidade é administrada pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e é reconhecida por seu atendimento humanizado ao parto, tendo recebido em 2024 a Medalha Amigo da Primeira Infância e o prêmio Dr. Pinotti Hospital Amigo da Mulher, concedidos pela Câmara dos Deputados.

De acordo com o presidente do SinMed-RJ, Alexandre Telles, a contratação de profissionais em regime PJ, considerada pouco transparente pelo sindicato, pode prejudicar o atendimento, pois altera o corpo clínico de referência na unidade e aumenta a rotatividade.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que há contratações em regime PJ para suprir vagas não cobertas, com o objetivo de garantir assistência às gestantes durante a paralisação. Contudo, não confirmou a informação sobre os salários superiores, tampouco quantos médicos serão contratados ou o atual funcionamento da maternidade diante da greve.

A SPDM declarou que a responsabilidade pelas negociações é da Secretaria Municipal de Saúde, embora a associação tenha participado das reuniões.

Tags: Maternidade Maria AméliaSaúde PúblicaSecretaria Municipal de Saúdegreve médicaregime PJ

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