Celina Leão enfrenta queda no Ideb e falta de professores no DF
Governadora reeleita do DF terá que lidar com resultados ruins e demanda por concursos na educação pública.
A governadora reeleita do Distrito Federal (DF), Celina Leão (PP), terá como desafio principal na próxima gestão a situação delicada da educação pública na capital. Apesar de já ter sido referência nacional, a rede pública do DF apresenta queda no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com níveis abaixo da média nacional neste ano, agravando-se especialmente após a pandemia.
O DF registrou redução no Ideb do ensino médio, sendo a única unidade da federação com esse desempenho negativo, enquanto no cenário nacional houve melhora recorde desde 2005. Apenas no ensino fundamental inicial, considerando a rede privada e pública, o DF ficou na metade superior, com nota 6,4 frente à média do país de 6,3.
Em resposta à situação, Celina substituiu em agosto o comando da Secretaria de Educação, colocando Thiago Peixoto no lugar de Iêdes Braga. A Secretaria informou estar implementando "ações voltadas à garantia da aprendizagem e à permanência dos estudantes".
A rápida troca de comando e as novas medidas têm gerado conflitos com o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), que realizou paralisação em outubro contra decisões como o envio de materiais didáticos sem consulta ao sindicato e mudança do calendário escolar. A governadora classificou essa paralisação como de cunho eleitoral.
Outro desafio é o deficit significativo de profissionais concursados na educação. Dados apontam que dos 48.820 servidores ativos, 16.912 são temporários, correspondendo a 34,6% do total.
Celina nomeou em agosto 2.681 aprovados do concurso de 2022 e autorizou um novo concurso para 10.604 vagas, sendo 2.650 para contratação imediata, com edital previsto para novembro, após determinação do Tribunal de Contas do DF para apresentação de cronograma.
Entre as propostas da governadora está a ampliação do ensino em tempo integral, atualmente com apenas 7% dos alunos matriculados nessa modalidade, focando zonas com maior demanda e expansão gradual para toda a rede.
A infraestrutura escolar também preocupa: em outubro, parte do telhado de uma escola provisória no Paranoá desabou. A Secretaria informou possuir 25 contratos de manutenção predial para atendimento contínuo.
Celina Leão inicia seu próximo mandato de olho na recuperação dos índices educacionais e na solução para o quadro de servidores, dois pontos essenciais para a evolução da educação pública no DF.
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