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Pesquisa revela Apple limita sugestões políticas e ofensivas no teclado do iPhone

Pesquisa revela que teclado do iOS não sugere cerca de 100 mil termos, incluindo expressões políticas; Apple evita recomendações ofensivas.

Celular iPhone, da Apple, mostrando a traseira e camera
iPhone, da Apple — Foto: Divulgação

A Apple mantém uma lista secreta com milhares de palavras e expressões que o teclado do iPhone não sugere automaticamente durante a digitação, revela pesquisa publicada em novembro de 2026. Entre os termos bloqueados estão expressões de teor político, como "Trump ditador" e "Joe sonolento", e ainda uma ampla variedade de palavras consideradas vulgares ou ofensivas.

O pesquisador Derik Kauffman localizou o arquivo no sistema operacional iOS em setembro e estima que a lista contenha cerca de 100 mil termos e variações, abrangendo diferentes idiomas. Essa seleção impede que essas expressões apareçam nas sugestões do teclado ou sejam digitadas pelo recurso de deslizar o dedo nas letras (“digitação por gestos”), embora o usuário ainda possa digitá-las manualmente.

Último debate entre Donald Trump e o presidente Joe Biden
Último debate entre Donald Trump e o presidente Joe Biden — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo Kauffman, essa estratégia da Apple visa evitar que usuários recebam sugestões inadequadas ou possam enviar mensagens potencialmente ofensivas ou provocativas, mas também pode influenciar de forma discreta a comunicação cotidiana deles.

Além das palavras vulgares, há expressões políticas bloqueadas em diversos idiomas e países. Por exemplo, no teclado em hindi, expressões como "Modi fanfarrão" e "Rahul é Pappu" – críticas aos principais líderes na Índia – não podem ser digitadas por gestos. Em francês, termos sobre imigração também são restringidos, e em hebraico, frases como "territórios ocupados" enfrentam bloqueio.

A Apple declarou, em resposta enviada por e-mail, que configura o teclado do iOS para evitar sugestões consideradas ofensivas ou inadequadas, sem detalhar especificamente a composição da lista ou os critérios para incluir termos políticos. A empresa ressaltou que os usuários podem digitar manualmente qualquer palavra ou frase, ignorando as sugestões automáticas.

O engenheiro Matt Suiche confirmou de forma independente a existência da lista, obtendo resultados quase idênticos aos de Kauffman. Para ele, isso ajuda a compreender como a comunicação humana tem sido filtrada por meio dessas tecnologias ao longo dos anos.

A pesquisa também identificou inconsistências no bloqueio. Termos próximos, como "read smut" (ler pornografia) são permitidos, mas não “read gay smut” (ler pornografia gay). Expressões como "white man" (homem branco) são substituídas por palavras similares sem o mesmo sentido, como "white mean", enquanto "black man" é aceita sem restrições.

Casos anteriores haviam mostrado polêmicas envolvendo o sistema de sugestões da Apple, como em 2025, quando o iPhone mostrou associar automaticamente "racista" à palavra "Trump", erro que foi reconhecido e corrigido pela empresa.

Representantes da Electronic Frontier Foundation, uma organização de defesa das liberdades civis digitais, destacam o potencial útil do recurso para evitar termos ofensivos, mas classificam a falta de transparência e os critérios da Apple como preocupantes.

Tags: Appleexpressões políticasiPhoneprivacidadetecnologia

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