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Sertão de Sergipe sofre com falhas no saneamento básico

Moradores do Sertão de Sergipe denunciam abastecimento irregular de água e coleta de esgoto insuficiente, com apenas 53,9% da população atendida em Nossa Senhora das Dores.

Moradores do Sertão de Sergipe enfrentam problemas no abastecimento regular de água e na coleta de esgoto, conforme relatos de residentes de Nossa Senhora das Dores. Nesta cidade, a coleta de esgoto atende apenas 53,9% da população, enquanto o estado registra 65,6% de cobertura, longe da meta federal de 90% estabelecida para 2033.

Segundo dados do Instituto Água e Saneamento, aproximadamente 800 mil pessoas em Sergipe ainda não contam com coleta de esgoto. O índice é ainda menor em áreas rurais, onde apenas 36,5% da população tem acesso ao serviço, contra 72,8% nas zonas urbanas.

Na comunidade rural de Barreiros, parte do Povoado Volta, moradores como Maria Vaneide Gomes e José Heleno dos Santos relatam que o abastecimento de água é irregular, com períodos de até uma semana sem fornecimento. A neta de Maria, de 12 anos, por exemplo, vivenciou anos sem ver água na torneira da casa.

Além da zona rural, na sede do município, o despejo inadequado de esgoto em vias públicas expõe moradores, crianças e animais a riscos sanitários e ambientais, conforme fotos registradas pela equipe do G1.

Investimentos da Iguá Sergipe

A Iguá Sergipe, concessionária que assumiu os serviços de saneamento em 2025 após privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), anunciou investimentos de R$ 500 milhões para 2026. Entre as ações previstas estão o aumento da capacidade das adutoras, instalação de sistemas de bombeamento, construção de reservatórios e ampliação de redes de água e esgoto.

Em 2025, a empresa já implantou 16 novos sistemas de bombeamento, 20 km de adutoras na região metropolitana e ampliou mais de 19 km das redes de água e esgoto, beneficiando comunidades como a de Maria Vaneide e José Heleno.

Desafios para cumprir o Marco Civil do Saneamento

O Marco Civil do Saneamento Básico, aprovado em 2020, estabelece a meta de universalizar o acesso ao tratamento e coleta de esgoto para 90% da população brasileira até 2033. Sergipe, contudo, ainda enfrenta desafios significativos para atingir essa meta.

Embora os investimentos anuais por habitante tenham crescido 51% entre 2020 e 2024 — passando de R$ 90,54 para R$ 137,02 —, esse valor está abaixo dos R$ 225 anuais estimados como necessários para universalização do saneamento.

A precariedade dos serviços impacta diretamente a saúde pública, aumentando o risco de doenças como diarreias, verminoses, doenças de pele, dengue e chikungunya. Em 2024, essas enfermidades causaram internações de 344 mil brasileiros, segundo estudo do Instituto Trata Brasil.

O cenário no Sertão sergipano mostra que, apesar dos avanços recentes, a oferta regular de água potável e a coleta adequada de esgoto permanecem dificuldades para grande parte da população.

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