Projeto em Sergipe visa produzir 2 mi t de potássio por ano
South Atlantic Potash avança em avaliação técnica de exploração offshore de potássio na Bacia de Sergipe-Alagoas.
A South Atlantic Potash (SAP) está conduzindo um projeto de mineração offshore na Bacia de Sergipe-Alagoas que identificou uma camada significativa de silvinita, rocha portadora de potássio, na profundidade de aproximadamente 2,5 quilômetros sob o leito marinho.
De acordo com informações divulgadas pelo CEO Bonzi Yokomizo, o projeto atualmente encontra-se na fase de avaliação técnica conceitual, contando com o apoio da Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE). A empresa confirmou a presença de uma camada de 27,5 metros de silvinita em um dos poços perfurados, baseando-se em dados e análises sísmicas para estabelecer nove áreas exploratórias no Baixo Mosqueiro, ainda não caracterizadas como reservas minerais comprovadas.
Técnica e impactos ambientais
A SAP planeja utilizar a técnica de lavra por dissolução adaptada para o ambiente marítimo, método que consiste na injeção de água nas camadas subterrâneas para dissolver os sais minerais, formando uma salmoura que é bombeada para a superfície. Essa salmoura será transportada para instalações em terra para processos de evaporação e cristalização, possibilitando a extração do cloreto de potássio (KCl), insumo essencial para fertilizantes agrícolas.
Segundo Yokomizo, o processo é ambientalmente menos agressivo, pois dispensa o uso de barragens, não gera rejeitos sólidos e não utiliza reagentes químicos. O cloreto de sódio resultante será comercializado como coproduto, e a salmoura residual passará por rigoroso controle ambiental e licenciamento.
Relevância para o Brasil
O Brasil é o segundo maior consumidor mundial de potássio, importando mais de 96% de sua demanda, que atualmente está concentrada nos mercados do Canadá, Rússia e Belarus. Com a implementação deste projeto, a SAP pretende produzir inicialmente 2 milhões de toneladas anuais de potássio, volume equivalente a cerca de 14% da demanda nacional e quatro vezes a produção brasileira atual.
Essa produção local poderá gerar uma economia estimada entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões anualmente, além de aumentar a segurança do abastecimento frente a instabilidades do mercado internacional.
O potencial de Sergipe para extração de potássio é conhecido desde 1963, quando jazidas foram descobertas em Rosário do Catete pela Petrobras. Atualmente, a única mina em operação no Brasil está localizada no Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras, em Sergipe.
Os próximos passos do projeto incluem campanhas de sondagem confirmatória, estimativa formal de recursos, estudos de viabilidade econômica e de engenharia, licenciamento ambiental e estruturação do financiamento.


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