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Saúde

Estudo indica que mulheres apresentam maior inteligência emocional que homens, mas habilidade pode ser desenvolvida por todos

Pesquisa global com mais de 600 mil pessoas revela vantagem feminina na inteligência emocional, especialmente na percepção das emoções alheias.

Por 14/10/2026 às 02h41

Uma extensa pesquisa que analisou dados de mais de 600 mil pessoas em 76 países, ao longo de quase 30 anos, apontou que, em média, as mulheres obtêm pontuação superior à dos homens em inteligência emocional. O estudo, que avaliou pesquisas realizadas entre 1995 e 2023, buscou responder se de fato as mulheres são mais inteligentes emocionalmente do que os homens.

A inteligência emocional é definida como a capacidade de reconhecer, compreender e regular as próprias emoções e as dos outros. Os resultados indicam que a vantagem feminina se manifesta principalmente na habilidade de perceber os sentimentos alheios — isto é, reconhecer o que outra pessoa sente, entender o motivo e ajudar a lidar com a situação.

Fatores e mudanças ao longo do tempo

Embora fatores biológicos e hormonais não possam ser completamente descartados, os dados sugerem que a inteligência emocional é um traço moldado pela prática e ambiente social. A diferença entre os sexos é menos acentuada em crianças e tem diminuído nas últimas décadas. Além disso, estudos indicam que meninas são incentivadas desde cedo a expressar e refletir sobre seus sentimentos, enquanto meninos são orientados a suprimir emoções, o que contribui para a diferença observada.

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Skill que pode ser treinada

Uma meta-análise realizada em 2019 com 58 estudos evidenciou que a inteligência emocional pode ser desenvolvida por meio de treinamento, independentemente do gênero. Isso aponta para o potencial dos homens em aprimorar essas habilidades, tanto na vida pessoal quanto profissional, particularmente em negociações e na gestão de conflitos.

Implicações sociais e profissionais

Apesar da vantagem feminina na inteligência emocional, o estudo alerta para um risco: quando essa habilidade é naturalizada como um traço exclusivo das mulheres, ela pode ser tratada como uma obrigação não remunerada, especialmente no ambiente de trabalho. Mulheres frequentemente assumem o papel de mediadoras de tensões e apoio emocional sem reconhecimento formal ou benefícios em avaliações de desempenho e promoções.

Para corrigir isso, os autores do estudo recomendam que empregadores reconheçam, remunere e promovam esse tipo de trabalho emocional. Além disso, sugerem ampliar o desenvolvimento dessas habilidades entre todos os funcionários.

Conclusão

A pesquisa reforça que embora as mulheres exibam uma vantagem média em inteligência emocional, essa é uma competência que, se treinada, pode ser desenvolvida por qualquer pessoa. A habilidade emocional precisa ser valorizada e encarada como um potencial a ser explorado por todos, evitando que se consolide como uma responsabilidade exclusiva e invisível das mulheres.

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