Socó-boi captura filhote de jacaré no Pantanal de Mato Grosso
Vídeo registrado no Parque Estadual Encontro das Águas mostra ave predadora capturando filhote de jacaré durante expedição no Rio Cuiabá.
Um socó-boi (Tigrisoma lineatum) foi registrado capturando e comendo um filhote de jacaré às margens do Rio Cuiabá, no Parque Estadual Encontro das Águas, em Mato Grosso. O flagrante ocorreu durante uma navegação guiada pela região pantaneira e foi documentado pelo biólogo e fotógrafo Bruno Sartori Reis, que acompanhou a cena por cerca de 40 minutos, junto com passageiros de uma expedição turística.
Inicialmente, a equipe pensou que a ave havia capturado um peixe, mas logo perceberam que se tratava de um jacarezinho, surpreendendo os observadores que registraram toda a ação. Segundo o ornitólogo Augusto Batisteli, o socó-boi é um predador generalista que não depende de uma única fonte alimentar, consumindo uma variedade de presas, como peixes, anfíbios, répteis, mamíferos e filhotes de outras aves.
O especialista explica que a metodologia de caça do socó-boi é baseada na paciência, permanecendo imóvel próximo a águas rasas para surpreender suas presas com seu pescoço longo e bico avantajado, alcançando animais a uma certa distância. A elasticidade do esôfago da ave possibilita a ingestão de presas inteiras, mesmo quando volumosas ou maiores que seu próprio corpo, como o filhote de jacaré capturado.
Embora capturar presas maiores possa parecer vantajoso, Batisteli ressalta a teoria do forrageamento ótimo, que sugere que as aves buscam maximizar o benefício alimentar com o menor esforço possível, preferindo presas que equilibrem energia gasta e ganho alimentar.
O socó-boi mede entre 66 e 76 centímetros e habita áreas úmidas como brejos, pântanos e veredas, ocorrendo em todo o Brasil e em outros países da América Central e do Sul. Ele possui plumagem que varia com a idade e um nome popular obtido por sua vocalização grave semelhante ao mugido de boi. Durante a reprodução, constrói ninhos no alto de árvores e arbustos, onde a fêmea deposita de dois a três ovos, com incubação entre 31 e 34 dias.
Este registro reforça a complexidade e a diversidade das relações predatórias na fauna do Pantanal, demonstrando o papel do socó-boi em seu ecossistema como predador eficiente e adaptável.


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