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Secretaria de Segurança de SP revisa protocolos e planeja aquisição de 6 mil armas de choque após mortes em abordagens

Após três mortes em surto na capital paulista, SSP de São Paulo discute atualização de treinamento e aquisição de equipamentos não letais.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo realizou nesta sexta-feira (16) uma reunião com a cúpula da Polícia Militar para revisar protocolos de abordagem e discutir a compra de novas armas de choque, após a morte de três pessoas em situação de possível surto mental na capital paulista em pouco mais de uma semana.

O encontro contou com a presença do secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico; do secretário executivo, coronel Henguel; e da comandante-geral da PM, coronel Glauce Anselmo Cavalli. A pauta principal foi a avaliação do Procedimento Operacional Padrão (POP), que orienta a atuação policial em ocorrências variadas, especialmente nos casos envolvendo pessoas com transtornos psicológicos ou emocionais.

Atualmente, a Polícia Militar possui cerca de 11 mil armas de choque do modelo Taser, utilizadas para conter indivíduos sem a necessidade de força letal. No entanto, elas foram empregadas em apenas um dos três recentes casos que resultaram em mortes por disparos de armas de fogo durante abordagens a pessoas em surto. Com base nisso, a corporação pretende adquirir aproximadamente 6 mil novas armas para ampliar o equipamento disponível e modernizar os procedimentos operacionais.

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Além da aquisição dos equipamentos, a SSP planeja atualizar o treinamento dos policiais para melhorar a capacidade de lidar com ocorrências envolvendo crises emocionais, transtornos mentais ou surtos comportamentais. A intenção é priorizar o uso progressivo da força, privilegiando métodos menos letais e utilização da arma de fogo somente como último recurso.

Especialistas ouvidos pela Secretaria também participarão de discussões para elaboração de novas estratégias que envolvam apoio de equipes especializadas, familiares, profissionais de saúde, negociadores ou apoio tático, buscando reduzir riscos e melhorar o atendimento.

Casos recentes que motivaram revisão

Em 3 de outubro, Antônio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto na Zona Norte após policiais tentarem conter o homem, que estava em aparente surto e portava objetos cortantes. Uma arma de choque teria sido usada antes dos disparos. A polícia investiga o caso, e os envolvidos foram afastados.

Em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, 20 anos, morreu em Moema após policiais terem disparado 45 vezes acreditando que ele apontava uma arma, interpretada a partir do celular que ele segurava. A família contesta a ação, que também está sob investigação.

Em 15 de outubro, Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi baleada após avançar com uma faca em direção a policiais no Parque São Domingos. O policial responsável foi preso por homicídio, e as investigações tramitam no DHPP e na Corregedoria da PM.

Estas ocorrências provocaram debates sobre o preparo dos agentes frente a casos envolvendo transtornos mentais e a necessidade de modernizar os protocolos para reduzir o uso da força letal.

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