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População remanescente de micos-leões-pretos em SP recebe

Pesquisa do IPÊ avalia a translocação de nove micos-leões-pretos para fortalecer grupo isolado no Pontal do Paranapanema.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) realizaram a transferência de nove micos-leões-pretos para um fragmento florestal no Pontal do Paranapanema, região do estado de São Paulo, com a finalidade de reforçar a pequena população local e evitar sua extinção prevista para os próximos 10 a 20 anos.

A população original neste fragmento de aproximadamente 500 hectares é estimada em menos de 18 indivíduos, número considerado crítico e que motiva as ações de conservação. Segundo a coordenadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto do IPÊ, Gabriela Rezende, essa preocupação é resultado de monitoramento contínuo e projetada por modelos de viabilidade populacional que confirmaram a tendência de declínio.

As transferências ocorreram em duas etapas, no início de 2024 e em 2025, com animais provenientes do Parque Estadual Morro do Diabo, que sustenta uma população saudável de cerca de 1.200 micos-leões-pretos. O objetivo principal foi aumentar o número de indivíduos, ampliar a diversidade genética local e possibilitar a formação de novos grupos reprodutivos.

Após a soltura do segundo grupo, aconteceu a morte de uma fêmea dominante por causa não identificada, fato que acelerou a dispersão dos jovens e, consequentemente, a criação de novos agrupamentos. Observou-se a formação de casais e grupos com indivíduos de origens distintas, um indicativo promissor para a conservação da espécie.

Os pesquisadores seguem monitorando os animais para registrar eventuais nascimentos, que ainda não foram detectados. A reprodução é um indicador importante do sucesso da adaptação e da efetividade da translocação no aumento da população.

Além da translocação, o IPÊ desenvolve o projeto Corredores de Vida, que visa a conexão e recuperação dos fragmentos florestais da região. Com mais de 14,2 milhões de mudas plantadas, a expectativa é ampliar em mais de oito vezes o habitat disponível para os micos-leões-pretos, promovendo a circulação natural dos indivíduos e fortalecendo as populações.

A conservação da diversidade genética é crucial, pois representa a capacidade de adaptação da espécie às mudanças ambientais, especialmente frente às alterações climáticas em curso. A perda de populações isoladas pode significar a perda desse potencial evolutivo.

O trabalho com a população do Pontal do Paranapanema também serve de modelo para outras populações isoladas de micos-leões-pretos sob manejo pelo IPÊ, com a finalidade de garantir a sobrevivência dessas populações ao longo do tempo. No entanto, a estratégia demanda planejamento, equipe qualificada e recursos financeiros dedicados, já que inclui avaliações prévias e monitoramento contínuo por anos após as ações de manejo.

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