Pular para o conteúdo

Justiça mantém prisão de advogado em operação do Gaeco por suspeita de destruição de provas em Ribeirão Preto

Guilherme Menna Barreto Gentil segue preso após ser apontado por jogar notebook e celular pela janela durante ação do Gaeco que investiga fraudes contra idosos.

A Justiça manteve a prisão preventiva do advogado Guilherme Menna Barreto Gentil, preso no dia 20 de outubro em Ribeirão Preto (SP), durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele é investigado por destruir provas ao jogar um notebook e um celular pela janela do seu apartamento, conforme decisão do juiz Nemércio Rodrigues Marques, da Vara Regional das Garantias de Ribeirão Preto.

Segundo a decisão judicial, há indícios que apontam para a tentativa de ocultar dados relacionados à investigação, que apura fraudes milionárias em milhares de ações judiciais movidas em nome de idosos na região. A operação Libelo, conduzida pelo Gaeco, identifica saques suspeitos que ultrapassam R$ 12 milhões, incluindo a compra desses créditos por valores inferiores a 20% do valor real. A investigação envolve crimes como estelionato, falsificação de documentos, apropriação indébita e organização criminosa.

O magistrado determinou que a prisão preventiva seja mantida considerando o risco de que Guilherme apagasse dados armazenados na internet, influenciasse testemunhas ou clientes, ou tentasse fugir, já que possui visto válido para os Estados Unidos e esteve recentemente no país. A decisão reforça que medidas alternativas como prisão domiciliar ou tornozeleira eletrônica não garantiriam a efetividade do processo, diante das suspeitas de obstrução da justiça pelo advogado.

Leia também: Dupla é condenada a mais de 30 anos por tortura e assassinato de torcedor na Arena Castelão

No dia da prisão, policiais encontraram o advogado trancado no banheiro do apartamento com a janela aberta. Na cobertura da piscina do prédio foram encontrados um celular e notebook danificados, possivelmente jogados do quinto andar. A tomada da decisão considerou que essa conduta ultrapassa o direito ao silêncio e indica tentativa clara de destruir provas que deveriam ser apreendidas.

O advogado de defesa, Julio Mossin, declarou que Guilherme Menna Barreto Gentil não admitiu ter jogado os equipamentos e argumentou que não havia motivos para a prisão preventiva. Mossin também ressaltou que o cliente sempre negou qualquer envolvimento em fraude ou apropriação indevida de valores.

A Operação Libelo investiga milhares de processos ligados ao advogado em diferentes municípios, como Ribeirão Preto e Altinópolis, envolvendo centenas de ações em que os créditos judiciais de idosos são movimentados em contas pessoais dos investigados, sem que os titulares tenham conhecimento das movimentações.

📰 Veja também