Influenciadora Malévola relata humilhação e abusos policiais no
Malévola Alves afirma que foi presa e sofreu abusos junto com amiga no Egito, acusadas de comportamento obsceno por serem mulheres trans.
A influenciadora brasileira Mariana Alves, conhecida como Malévola, publicou nesta quinta-feira (22) um vídeo emocionado no qual relata ter sido "muito humilhada" e ter sofrido abusos policiais no Egito. Segundo ela, os ataques ocorreram após a detenção dela e da amiga Bruna Mercatelli, ambas mulheres trans, na cidade de Alexandria sob a acusação de comportamento obsceno em via pública.
No vídeo, divulgado em sua conta no Instagram, Malévola aparece chorando e diz que não consegue parar de chorar devido ao trauma e à humilhação vivenciados durante a prisão, ocorrida na terça-feira (20). Ambas foram liberadas na quarta-feira (21) após pagamento de fiança para responder ao processo em liberdade. A expectativa é que as duas cheguem ao Brasil na noite desta quinta-feira (22), com desembarque previsto para às 22h30 no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
Denúncias de abuso e transfobia
Malévola afirmou que os policiais responsáveis pela prisão deixaram claro que a detenção decorreu do fato de serem mulheres trans. Ela relatou ter sido obrigada a despir-se para averiguação e, após descobrirem sua condição biológica, os agentes passaram a tratá-la de modo diferente. Segundo a influenciadora, tanto ela quanto Bruna sofreram abuso por parte de diversos policiais na delegacia.
A influenciadora também revelou sofrer crises de pânico, ansiedade e depressão em decorrência do ocorrido e disse que buscará atendimento médico imediatamente após o retorno ao Brasil.
Ação da defesa e contexto legal
A defesa de Malévola e Bruna indicou que adotará medidas para que as denúncias de transfobia e abuso policial sejam investigadas por órgãos internacionais, incluindo o acionamento do Itamaraty para o devido acompanhamento diplomático. Existe a possibilidade de envolvimento da Comissão Internacional de Direitos Humanos.
De acordo com informações da polícia egípcia, as influenciadoras foram detidas após terem postado vídeos com gestos considerados obscenos e ofensivos às normas locais. As autoridades alegam que os vídeos tinham como objetivo aumentar o número de visualizações e que os atos ocorreram em espaços públicos. A legislação do Egito prevê pena de até um ano de prisão ou multa para quem praticar atos escandalosos em público.
Repercussão e antecedentes
O caso ganhou repercussão internacional após divulgação oficial do Ministério do Interior do Egito. A mídia local destacou a condição de mulheres trans das influenciadoras, algumas vezes em tom crítico e transfóbico. A defesa informou que ainda busca esclarecer as acusações exatas contra as influenciadoras, que até o momento não se pronunciaram sobre as denúncias e prisão.
Malévola é uma figura pública conhecida nas redes sociais brasileiras e já esteve envolvida em outras controvérsias envolvendo denúncias de transfobia e conflitos públicos.
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