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Gaeco realiza 3ª fase da Operação Cavalo de Troia com nova

Investigação mira esquema de fraude e corrupção em licitação bilionária de gestão de resíduos sólidos em Bauru (SP).

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou em 23 de outubro de 2026 a terceira fase da Operação Cavalo de Troia, que investiga um esquema de fraude e corrupção na licitação da gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos em Bauru (SP). A ação ocorreu principalmente na capital paulista, onde uma pessoa foi presa preventivamente, indicada como responsável por uma empresa suspeita de intermediar vantagens indevidas relacionadas ao contrato avaliado em mais de R$ 5,2 bilhões e duração prevista de 30 anos.

Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados a pessoas jurídicas investigadas por intermediarem pagamentos ilícitos. A Justiça determinou também o bloqueio de bens e ativos no valor de R$ 20 milhões dos envolvidos no suposto esquema.

Investigações sobre pagamentos e direcionamento da licitação

Segundo o Ministério Público, os elementos coletados indicam que contratos e empresas, desprovidos de causa econômica real, foram utilizados para dar aparência legal à transferência indireta de recursos a agentes públicos e pessoas indicadas por eles, na forma de pagamentos que ultrapassam R$ 4 milhões até o momento. Esses repasses estão formalizados por meio de contratos, notas fiscais e descrições de serviços cuja efetiva prestação ainda é objeto de apuração.

Essa frente investigativa ganhou aprofundamento após a apreensão, na etapa anterior da operação, de uma nota fiscal relacionada à empresa que intermediava propinas. Novas diligências identificaram pagamentos expressivos adicionais à mesma empresa.

Contexto das fases anteriores e principais envolvidos

A primeira fase da operação ocorreu em 9 de setembro, e na segunda fase, em 16 de outubro, foi preso o então secretário municipal de Governo de Bauru, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim. Ele foi apontado como 'figura política' envolvida nas articulações relacionadas à concessão investigada. A Justiça manteve sua prisão preventiva, e após isso, ele foi exonerado do cargo pela prefeita, que não foi alvo direto da operação.

Outros investigados e denunciados pelo Ministério Público incluem a ex-secretária municipal de Meio Ambiente Cilene Chabuh Bordezan, que teria atuado alinhada com a empresa Estre Ambiental, executivos da empresa como Hamilton Libório Agle, além de ex-servidores municipais e funcionários ligados à Estre Ambiental. A investigação também apura o envolvimento de um grupo organizado que atuava para direcionar licitação e interferir no processo de contratação pública, com indícios de pagamento de propinas, troca de informações reservadas e influência na modelagem do edital.

Suspensão da licitação e medidas adotadas

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) suspendeu o procedimento de concessão após questionamentos sobre irregularidades no edital. Apesar disso, as investigações criminais continuam em curso para apurar a possível estruturação da licitação para favorecer a empresa Estre Ambiental.

Posicionamentos oficiais

A Estre Ambiental declarou que está colaborando integralmente com as investigações e informou que não participará da licitação do lixo em Bauru, adotando medidas para se desvincular do processo.

Renato Purini prestou depoimento por videoconferência à Promotoria em 22 de outubro, optando pelo silêncio.

A Prefeitura de Bauru afirmou que tem colaborado integralmente com o Gaeco durante as investigações, fornecendo documentos e informações necessárias, e seguirá contribuindo para o avanço das apurações.

Além disso, a prefeita Suéllen Rosim é investigada em Comissão Processante na Câmara dos Vereadores por suposta negligência na elaboração do edital de licitação, tendo negado envolvimento direto dela ou do marido em decisões relacionadas ao edital e à licitação.

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