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Estudantes da Fatec Sorocaba criam em 1976 o primeiro carro brasileiro 100% a álcool

Projeto pioneiro na Fatec Sorocaba desenvolveu um Chevrolet Opala movido exclusivamente a etanol, antes da produção em série do Fiat 147.

Em 1976, um grupo de professores e sete estudantes da Faculdade de Tecnologia de Sorocaba (Fatec) desenvolveu um protótipo pioneiro: um Chevrolet Opala adaptado para ser movido exclusivamente a etanol, marcando a criação do primeiro carro brasileiro 100% álcool.

O projeto surgiu em meio à crise global do petróleo da década de 1970 e foi conduzido sem financiamento governamental, contando com o apoio da comunidade acadêmica e da Usina Santa Maria, que forneceu o etanol para os testes. O laboratório de Sistemas Mecânicos da Fatec cedeu suas instalações, enquanto os estudantes assumiram os custos, inclusive adquirindo o próprio Opala usado para as modificações.

Para adaptar o motor a gasolina, foram necessárias cerca de 50 horas de trabalho. As alterações técnicas envolveram o aumento da taxa de compressão por meio do rebaixamento do cabeçote, substituição das velas por modelos apropriados, além de ajustes no carburador, giclê, bobina e platinado. O resultado foi um veículo capaz de dar partida e operar totalmente com álcool desde o início.

Entre junho e novembro de 1977, o protótipo passou por testes em estradas de asfalto e terra, atingindo um consumo médio de 8 km por litro de etanol puro, desempenho comparável ao dos motores a gasolina da época.

O projeto foi coordenado pelo professor Dalmir Prado Salvi, com a participação dos alunos Edson Jesus Cruciolli, Ismael Guilherme Luvizotto, Luiz Henrique Alves, Mário da Silva Roquete, Takao Watanabe, Jaime Tomosigue e João Batista Maimone. Os estudantes destacaram o desafio de começar o desenvolvimento do zero, já que não obtiveram apoio de empresas ou instituições para informações ou financiamento.

Esta iniciativa precedeu em três anos a produção em série do Fiat 147 a álcool, que começou em 1979, sendo o primeiro carro a etanol fabricado no Brasil industrialmente. Diferentemente do Fiat 147 e do Dodge Polara desenvolvido pelo ITA, cujo motor utilizava gasolina para a partida a frio, o Opala da Fatec funcionava 100% a álcool desde o momento da partida.

Atualmente, o paradeiro do protótipo da Fatec Sorocaba é desconhecido, e o Centro Paula Souza, que mantém as Faculdades de Tecnologia em São Paulo, não dispõe de informações sobre o destino do veículo após os testes.

Este feito pioneiro da Fatec reforça a importância da pesquisa acadêmica no desenvolvimento de soluções energéticas alternativas em um período de forte dependência do petróleo e crise no fornecimento mundial.

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