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Como meteorologistas usam tecnologia avançada para prever o

Dados de satélites, modelos numéricos e supercomputadores são cruzados e analisados por especialistas para antecipar condições climáticas e emitir alertas de emergência.

A previsão do tempo no Brasil é resultado de uma complexa análise feita por meteorologistas que combinam dados de satélites, radares e modelos numéricos, processados por um supercomputador de alta capacidade. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é responsável por esse trabalho.

Desde a sua criação na década de 1980, os equipamentos do CPTEC passaram por diversas atualizações. Atualmente, o supercomputador Jaci, em operação desde 2025, possui 29 mil processadores e uma capacidade de armazenamento de 24 petabytes, sendo cerca de 302 vezes mais potente que os seus predecessores. O equipamento é refrigerado com água proveniente das nascentes do próprio centro.

Os dados captados por satélites são transformados em números e inseridos em modelos climáticos, que simulam o comportamento da atmosfera. Meteorologistas e pesquisadores analisam essas simulações para gerar previsões do tempo úteis para vários setores, como a Marinha e a Aeronáutica, para planejamento de navegação e segurança em voo, para a agricultura na projeção de safras, e para a Defesa Civil na prevenção e mitigação de desastres naturais.

Empresas de consultoria meteorológica, como a Climatempo, também utilizam essas informações. O meteorologista Gustavo Verardo, que acompanha dados sobre umidade, vento e pressão, ressalta que o aquecimento global tem intensificado eventos climáticos extremos, causando maior variabilidade no clima, incluindo chuvas fortes, rajadas de vento, ondas de calor e frio, além de estiagens e enchentes.

Monitoramento e alerta pela Defesa Civil

Em São Paulo, a Defesa Civil estadual utiliza previsões para monitorar chuvas fortes através do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), localizado no Palácio dos Bandeirantes. No CGE, uma equipe de seis meteorologistas acompanha o desenvolvimento do tempo e coordena a resposta em caso de ocorrências. O tenente Roncatto, chefe de operações do CGE, explica que durante previsões de chuvas intensas é montado um gabinete de crise para intensificar o monitoramento e a coordenação entre órgãos.

O sistema de alertas é graduado conforme a intensidade da chuva, evoluindo de avisos mais brandos para alertas extremos quando as condições pioram. William Minhotto, meteorologista da Defesa Civil, destaca a importância desse trabalho para aumentar a conscientização da população e salvar vidas. As melhorias no CGE ocorreram após o temporal de fevereiro de 2023, que causou 65 mortes no Litoral Norte de São Paulo, levando a uma ampliação da equipe e modernização das instalações.

Portanto, a previsão do tempo envolve a integração de tecnologia avançada com o trabalho humano especializado para fornecer informações essenciais para diversos setores estratégicos e para a segurança da população, principalmente diante das alterações climáticas e aumento da frequência de eventos extremos.

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