Pular para o conteúdo

Brasileira enfrenta impasse de quatro anos para recuperar filho

Karin Toledo, que conquistou a guarda judicial do filho no Egito, não tem notícias da criança desde 2022 e diz não ver caminhos para reaver o menino.

A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo enfrenta há quatro anos uma disputa internacional para recuperar seu filho, Adam, levado ao Egito pelo pai sem sua autorização. Apesar de obter, em novembro de 2025, decisão da Justiça egípcia concedendo-lhe a guarda do menino, a mãe não consegue notícias diretas da criança desde 2022 e avalia desistir da luta.

O caso começou quando, em setembro de 2022, o pai levou o menino, então com 4 anos, do Brasil para o Egito sem permissão de Karin. No ano seguinte, a Justiça Federal de Campinas determinou a prisão preventiva do pai, que foi incluído na lista de procurados da Interpol. A Justiça egípcia chegou a ordenar prisão do pai e da avó paterna por descumprimento da decisão de guarda.

No entanto, segundo Karin, foram feitas ao menos três tentativas para localizar o filho e cumprir a decisão judicial, todas sem sucesso. A mãe relatou ter passado por ameaças no Egito, o que a levou a buscar abrigo na Bélgica antes de retornar ao Brasil, onde afirma não se sentir segura para voltar ao país africano sem apoio.

Segundo palavras da brasileira ao g1, há uma mistura de exaustão e impotência diante da situação, sem enxergar alternativas para reencontrar o menino: "Eu tentei de tudo, eu fiz de tudo e eu consegui tudo. E, no fundo, eu não consegui nada". Ela calcula ter gasto mais de R$ 500 mil em custos com advogados, deslocamentos e processos judiciais até o momento.

A distância e o tempo passaram a ser uma dor adicional para Karin, que lamenta perder referências básicas da vida do filho. O menino completará 8 anos no mês seguinte à entrevista, e a mãe teme que ele cresça sem conhecimento do esforço feito para estarem juntos novamente.

Atuação das autoridades brasileiras

O Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil no Cairo acompanha o caso desde 2022, prestando assistência consular à criança e à família, inclusive por meio de interlocução com autoridades locais, visitas consulares, orientação jurídica e apoio psicológico. A pasta destaca que o atendimento segue legislação internacional e nacional vigentes.

Procurados pela reportagem, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Autoridade Central Administrativa Federal (Acaf) e o governo do Egito não deram respostas até a publicação. A Acaf é o órgão brasileiro responsável por adotar providências em casos de subtração internacional de menores e restituição internacional de menores.

📰 Veja também