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Advogado é preso em investigação de fraude envolvendo vendas de

Gaeco investiga possível golpe em Altinópolis e Ribeirão Preto; advogado nega fraudes e defesa avalia providências.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) está investigando uma suposta fraude envolvendo a venda de créditos judiciais por advogados que atuam nas cidades de Altinópolis e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. De acordo com o levantamento divulgado em 22 de outubro de 2026 pelo G1, o advogado criminalista Guilherme Menna Barreto Gentil foi preso em flagrante acusado de participar do esquema.

A venda de créditos judiciais é uma prática legal, na qual o titular do direito de receber valores provenientes de uma ação judicial pode transferi-lo a terceiros antes do pagamento pelo judiciário, geralmente por um valor menor ao total a ser recebido. O que o Gaeco investiga são possíveis irregularidades no momento dessa venda, como a falta de consentimento ou ciência dos clientes idosos, valores muito abaixo do mercado e o não repasse do dinheiro para quem deveria recebê-lo.

Investigação revela irregularidades na operação

Segundo a apuração, vários clientes relataram não ter conhecimento sobre a venda dos seus créditos, nem do valor envolvido. Além disso, os créditos foram vendidos em alguns casos por menos de 20% do montante que já estava garantido, incluindo processos em que o banco já havia feito o depósito judicial. A empresa Desenrola, pertencente ao pai de Guilherme Gentil, foi apontada como compradora desses créditos em algumas transações.

Outro aspecto levantado é a movimentação financeira atípica, com pedidos de saque dos valores relacionados aos processos direcionados para a conta pessoal do advogado investigado. O Gaeco apurou saques que ultrapassaram R$ 2 milhões em Altinópolis, enquanto clientes não receberam os valores correspondentes.

Prisão e defesas

Guilherme Menna Barreto Gentil foi preso em flagrante durante a operação, após ter tentado atrapalhar a investigação, momento em que jogou um notebook e um celular pela janela. A Justiça decretou sua prisão preventiva no dia seguinte. Até o momento, não houve denúncias formais, e a defesa do advogado nega a prática de fraudes ou apropriação indevida de valores.

Em depoimento anterior, Guilherme atribuiu as reclamações dos clientes às operações feitas pela empresa Desenrola, comandada por seu pai. A defesa afirmou estar analisando as providências jurídicas após ter acesso aos autos do processo na tarde do dia 21 de outubro de 2026.

Aspectos legais e direitos dos clientes

O Código Civil prevê que a venda de créditos judiciais pode ser anulada judicialmente em até quatro anos caso fique comprovado que o vendedor foi induzido ao erro, inexperiente ou teve a venda feita por um preço muito abaixo do valor real. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) já invalidou casos de cessão feitos pelo próprio advogado do cliente por violação dos princípios éticos da advocacia.

O advogado criminalista Leonardo Pontes explicou que a cessão do crédito deve ocorrer com plena consciência do cliente sobre os termos da transação, e que descontos muito elevados no valor do crédito indicam a possibilidade de má-fé ou aproveitamento da vulnerabilidade do vendedor. Ele orienta que clientes consultem seus advogados e verifiquem o andamento e depósitos relacionados aos seus processos e que não assinem documentos sem compreensão clara.

Crimes investigados

A investigação do Gaeco apura potenciais crimes como estelionato, especialmente pela vulnerabilidade das vítimas que são pessoas idosas; fraude eletrônica; apropriação indébita; falsificação de documentos; e organização criminosa. O Ministério Público pode, ao término das investigações, apresentar denúncias à Justiça ou arquivar o caso, conforme os elementos apurados.

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