SC lidera alargamento de praias com desafios ambientais
SC é destaque nacional em alargamento de praias, enfrentando erosão e impactos ambientais enquanto investe mais de R$ 178 milhões em intervenções.
Santa Catarina é o estado brasileiro com o maior número de praias alargadas, buscando recuperar áreas de areia afetadas pela erosão marítima. Ao longo de 25 anos, municípios como Balneário Piçarras passaram por múltiplas intervenções para conter a perda de sedimentos.


O Tribunal de Contas do Estado (TCE) destacou que o litoral catarinense conta com pelo menos nove praias que receberam obras de alargamento, incluindo três em Florianópolis. Juntas, essas ações já consumiram cerca de R$ 178 milhões em investimentos públicos.

A Praia Central de Balneário Camboriú exemplifica a escala e repercussão dessas intervenções: a obra concluída em 2021 ampliou a faixa de areia de 25 para 70 metros ao longo de quase 6 quilômetros, envolvendo um investimento de R$ 66,8 milhões.
Porém, esses projetos apresentam desafios relacionados à sustentabilidade e durabilidade. Em Balneário Piçarras, desde o primeiro alargamento em 1998, outras quatro obras foram necessárias devido à continuidade da erosão, motivada por fatores naturais e características dos sedimentos usados.
Já na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, um alargamento de R$ 23 milhões realizado em 2023 não evitou perdas significativas de areia nos meses seguintes, com aumento do avanço do mar e danos provocados por ressacas em 2025.
Impactos ambientais e fiscalização
Especialistas, como o biólogo Paulo Horta da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), alertam para os impactos ambientais causados pela dragagem — técnica usada para recolher sedimentos —, que pode afetar a biodiversidade e contribuir para a proliferação de algas nocivas a partir de poluentes liberados.
Além disso, as obras geram emissões de gases de efeito estufa, principalmente dióxido de carbono (CO₂). Para mitigar esses efeitos, os especialistas recomendam ações como recuperação de restingas, plantio em dunas e restauração de ecossistemas submersos, como os bancos de gramas marinhas, capazes de reduzir a erosão e absorver carbono.
O Tribunal de Contas do Estado tem atuado para aprimorar a fiscalização dessas intervenções. Em 2026, o TCE publicou uma nota técnica destinada a orientar gestores municipais na elaboração de projetos e licitações, prevenindo desperdícios e promovendo maior segurança nas obras.
Outra ação de fiscalização é do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que acompanha obras de grande porte, como na Meia Praia, em Itapema, onde foi ajuizada uma ação civil pública para suspender licitação e obras até esclarecer divergências técnicas sobre o alargamento previsto.
Gestão integrada e desafios futuros
Os especialistas defendem que os alargamentos devem ser parte de estratégias amplas de gestão costeira, com planejamento de longo prazo que considere impactos sociais, ambientais e econômicos. Além disso, é fundamental dialogar com a população para evitar falsas expectativas sobre a eficácia e permanência das intervenções.
Em Itapoá, por exemplo, o reaproveitamento de sedimentos retirados durante obras de ampliação do canal portuário, sugerido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), mostrou uma abordagem que integra mitigação de impactos ambientais e redução de custos.
Assim, Santa Catarina enfrenta um equilíbrio complexo entre sustentar suas praias com intervenções caras e relevantes, e proteger os ecossistemas e comunidades que dependem da costa.
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