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Benzer animais no RS agora é feito por celular

Ritual antigo de orações a animais no Rio Grande do Sul se adapta ao uso de mensagens e fotos enviadas por celular.

No interior do Rio Grande do Sul, a tradição de benzer animais resiste ao tempo e se adapta ao uso da tecnologia, com benzedeiras e benzedores realizando orações através de mensagens e fotos enviadas pelo celular.

O benzedor Ronaldo Diniz Pereira, de Santo Antônio da Patrulha, pratica a benzedura de animais há cerca de dez anos. Ele atende produtores rurais que enviam imagens e pedidos por telefone, permitindo que ele realize curas à distância para gado e cavalos. Ronaldo destaca que o sucesso desses rituais depende da crença mútua entre quem pede a bênção e quem a realiza.

Produtores como Lauri, fornecedor de gado para rodeios, relatam melhora dos animais após as orações feitas via áudio. Outro produtor, José Ricardo Lima, confirma que obteve a recuperação de uma potranca depois de enviar sua foto para o benzedor, recomendação feita por amigos.

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Em Santo Antônio da Patrulha, a benzedeira Arinda Rocha de Souza utiliza símbolos tradicionais como uma folha e uma faca durante seus rituais, buscando a proteção de santos como Santo Expedito e São Sebastião. Esse elemento religioso é base fundamental para os procedimentos de cura.

De acordo com a escritora Elma Sant'ana, autora de obra sobre a temática, essa prática tem origem no campo e visa reforçar o equilíbrio e a harmonia entre seres humanos e animais, relação essencial para as atividades rurais.

Em Soledade, a benzedeira Jurema, 77 anos, realiza bênçãos rápidas em eventos tradicionalistas, atendendo pedidos para diferentes animais. Ela aprendeu a prática de forma autodidata e atribui seu conhecimento aos "poderes de Deus". Uma das histórias que lembra é a recuperação de uma égua que sofria com cólicas, que melhorou pouco tempo após a oração.

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