Policiais da megaoperação Contenção são eleitos deputados
Três agentes que participaram da megaoperação em 2025 foram eleitos em 2026, prometendo endurecer leis penais e reforçar segurança pública.
Três policiais envolvidos na megaoperação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foram eleitos deputados nas eleições de 2026. São eles Felipe Curi, ex-secretário estadual de Polícia Civil e deputado federal eleito pelo Progressistas (PP) com 133.626 votos; Coronel Marcelo de Menezes, ex-secretário da Polícia Militar e eleito deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) com 46.700 votos; e o delegado Bernardo Leal, baleado durante a operação que resultou na amputação da sua perna direita, eleito deputado estadual pelo PP com 57.254 votos.
A megaoperação de 28 de outubro de 2025 foi a mais letal da história do país, com 122 mortes, entre elas 5 policiais. A ação teve como objetivo cumprir centenas de mandados judiciais e conter a expansão territorial de facções criminosas, resultando na prisão de 113 suspeitos, sendo 33 de outros estados, e na apreensão de 118 armas de fogo, incluindo 91 fuzis.
Felipe Curi e Coronel Menezes haviam exercido cargos políticos como secretários de polícia na gestão do governador Cláudio Castro, mas 2026 foi a primeira vez que concorreram a cargos eletivos. A participação deles na megaoperação e a gestão das forças de segurança ganharam visibilidade pública, sendo que uma pesquisa da Quaest divulgada menos de um mês após a ação indicou que 67% dos brasileiros aprovaram a operação.
Propostas para segurança e combate às facções
Os três policiais eleitos defendem endurecimento das leis penais e mudanças estruturais na segurança pública. Felipe Curi pretende apresentar cerca de 20 projetos de lei na Câmara dos Deputados para tratar as facções criminosas como organizações terroristas, criar mecanismos para bloqueio de bens, endurecer punições para reincidentes e regulamentar a produção de provas e o emprego da força em áreas de conflito.
Coronel Menezes planeja defender a ampliação de iniciativas cívico-militares nas escolas com o apoio de policiais aposentados, além de atuar em áreas relacionadas à segurança como saúde e mobilidade urbana. Já o delegado Bernardo Leal destaca a importância de combinar ações policiais com a presença de outros serviços públicos nas comunidades para impedir o domínio das facções.
Experiências, impactos e desafios
Bernardo Leal relembra sua experiência na operação como um ponto de inflexão e reforça que a recuperação dos territórios depende de uma atuação integrada do Estado. Ele também quer pautar a defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
Curi ressalta que a operação foi resultado de investigação e planejamento longos, e que a letalidade não foi motivada por interesses eleitorais, destacando o sacrifício de policiais durante a ação.
Coronel Menezes enfatiza os resultados de sua gestão à frente da PM, que apreendeu em dois anos mais de 1.500 fuzis, 10.500 armas e prendeu 66 mil pessoas, e destaca a necessidade de valorizar agentes e reestruturar a corporação.
A atuação dos novos parlamentares promete colocar a segurança pública no centro dos debates políticos do Rio de Janeiro com propostas que busquem enfrentar o crime organizado e a impunidade.
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