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Lula toca Hino da Independência na Paulista e afirma soberania

Presidente Lula escolhe o Hino da Independência em eventos na Avenida Paulista para reforçar mensagem de autonomia nacional.

Lula na avenida Paulista.
Lula na avenida Paulista. — Foto: Reprodução/X

Nas manifestações políticas finais antes do segundo turno das eleições e na celebração da vitória do presidente Lula, realizadas nos dias 24 e 25 de outubro de 2026 na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente escolheu o Hino da Independência do Brasil como trilha musical para marcar esses momentos decisivos.

Durante o ato de 24 de outubro, que reuniu milhares de apoiadores e ocupou 14 dos 18 quarteirões da avenida, Lula subiu em um trio elétrico acompanhado da esposa Janja e de líderes políticos como os ex-ministros Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet. O Hino da Independência foi solicitado para ser tocado e, apesar de causar surpresa inicial em parte do público, gerou reação positiva com o avanço do refrão.

No dia seguinte, após a confirmação da vitória no segundo turno, o presidente voltou a pedir que o hino fosse executado durante seu discurso. Ele justificou a escolha afirmando que a música simboliza que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém", reforçando a mensagem de soberania e autonomia nacional.

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A simbologia do Hino da Independência e a disputa política

Composto pelo imperador Dom Pedro I em 1822 com letra do poeta Evaristo da Veiga, o Hino da Independência originalmente comemorava a separação do Brasil de Portugal e foi hino nacional até 1831. Lula utilizou esse símbolo para dialogar com o tema da liberdade e da não intervenção estrangeira.

Especialistas apontam que durante o pleito de 2026, o conceito de soberania foi interpretado de maneiras distintas pelos candidatos. Enquanto Lula associou soberania à autonomia do país em relação a potências como os Estados Unidos, seu adversário Flávio Bolsonaro enfatizou o termo ligado à segurança pública.

A cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, destacou que o uso do Hino da Independência pelo presidente cria um enquadramento forte para o debate sobre soberania, tendo um refrão conhecido e contundente. Ela também ressaltou que símbolos nacionais, como bandeira e cores verde e amarelo, estão em disputa entre diferentes campos políticos, e que o patriotismo não deve ser monopolizado por nenhum deles.

Contexto histórico da disputa por símbolos nacionais

Segundo a pesquisadora, a associação dos símbolos nacionais à extrema-direita ganhou força nos protestos de 2013 e nos movimentos pelo impeachment de 2015 e 2016, consolidando-se no governo Bolsonaro. Entretanto, grupos ligados a Lula também passaram a reivindicar o uso das cores nacionais, buscando desconstruir a exclusividade na identificação política.

Tathiana pontuou que existem dois tipos de nacionalismo em jogo: um excludente, que delimita quem pertence à nação, e um inclusivo, plural e capaz de reunir diferentes identidades. O nacionalismo inclusivo, desenvolvido no Brasil pós-ditadura, promove um sentimento de pertencimento divergente da ideia de uniformidade, permitindo identificar-se como brasileiro mesmo em meio às diferenças regionais e sociais.

Tags: Avenida PaulistaEleição 2026Hino da IndependênciaLulaSoberania Nacional

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