Lula busca reverter tradição de alternância de poder nas
Em segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, Lula tenta inverter tendência de alternância política que marca o continente americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está empenhado em conquistar uma virada no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras contra Flávio Bolsonaro (PL), buscando contrariar uma tendência regional de alternância de poder que vem se consolidando nas Américas.
Nos últimos 17 pleitos democráticos nos países das Américas, somente seis (35%) reelegeram seus presidentes ou elegeram seus sucessores alinhados, enquanto em 11 disputas (65%) houve mudança no comando político. Essa tendência é observada em diversos países latino-americanos, como Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Chile e Colômbia, que registraram vitórias oposicionistas recentemente.
Especialista da USP, Amâncio Jorge de Oliveira, destaca que esse ritmo de alternância ocorre em um contexto de guinada à direita e crises fiscais na região. Segundo ele, governos enfrentam desarranjos fiscais significativos, especialmente na América Latina, e tentativas de ajustes econômicos frequentemente incluem redução de direitos trabalhistas, o que gera instabilidade e baixa popularidade dos mandatários.
Além disso, as redes sociais têm acelerado as mudanças de opinião popular, amplificando tanto o apoio quanto a rejeição a governos incumbentes. Lula, que em 2022 foi o primeiro presidente brasileiro a disputar a reeleição e não ser vitorioso desde a implantação do mecanismo em 1998, busca agora romper esse padrão, tentando se manter no poder contra Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A competição ocorre em um cenário polarizado e marcado por desafios comuns a diversos países do continente, como crises econômicas e debates sobre políticas públicas. Enquanto em nações como Paraguai, México, Canadá e República Dominicana houve continuidade governista recente, outras enfrentam frequentes alternâncias, consolidando o padrão regional.
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