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Política

Aliados de Hugo Motta articulam manutenção na presidência da Câmara diante de disputa politica intensa

Presidente da Câmara busca apoio de partidos do Centrão, esquerda e aliados para garantir sua permanência na liderança da Casa.

Por 14/10/2026 às 00h12  ·  Atualizado em 14/10/2026 às 00h15

Enquanto a eleição para presidente da Câmara dos Deputados está marcada para fevereiro de 2027, o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), já articula sua manutenção no cargo. Aliados do parlamentar paranaense avaliam que a disputa ainda está longe de ser definida e que o movimento do Centrão deve ser fundamental para decidir o resultado.

Apesar do avanço da bancada de direita no Congresso, o Centrão demonstra interesse em manter o equilíbrio de poder, resistindo a ampliar a influência do bolsonarismo no Legislativo. Lideranças desse grupo político ressaltam a força adquirida pelo Congresso nos últimos anos devido à autonomia em relação ao Poder Executivo, permitindo, por exemplo, o crescimento das emendas parlamentares.

Entre os nomes que apoiam Hugo Motta estão líderes do PSD, PP e MDB, partidos que têm expressiva bancada na Câmara. O presidente da Câmara tem à disposição instrumentos importantes para negociação, como a indicação para vagas no Tribunal de Contas da União (TCU), relatorias de propostas, distribuição de cargos na Mesa Diretora e em comissões, além da negociação de emendas parlamentares.

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Recentemente, Motta obteve apoio público do líder do PSD, Antonio Brito (BA), cuja bancada conta com mais de 40 deputados. Além disso, ele tem mantido diálogo com líderes do PP, como Dr. Luizinho (RJ), e do MDB, Isnaldo Bulhões (AL). Espera contar também com o respaldo de partidos de esquerda, como PT, PSB, PSOL, PCdoB, PDT, PV e Rede, que juntos somam 124 deputados federais.

Nos bastidores, há resistência ao nome de Motta dentro do PL, partido que fez a maior bancada desde 1988 com 121 cadeiras na Câmara. Contudo, aliados do atual presidente da Câmara avaliam que o PL sozinho não tem condição de eleger o líder da Casa e que a tentativa de impor candidatos como o senador Flávio Bolsonaro pode não prosperar.

Motta também monitora o comando do Senado, visto que o PL e seus aliados demonstram foco nesse espaço, com a candidatura destacada do senador Rogério Marinho (PL-RN). A alternância de comando nas Casas legislativas é comum e tida como forma de garantir equilíbrio entre forças políticas.

Alguns aliados ainda citam a estratégia que levou Arthur Lira (PP-AL) à reeleição histórica na presidência da Câmara como modelo a ser seguido. Na época, Lira conseguiu articular apoios mesmo com a mudança no Palácio do Planalto, mostrando habilidade política para se manter no poder.

Além disso, Motta planeja iniciar negociações formais após o segundo turno da eleição presidencial, com o objetivo de consolidar apoios de diversas forças políticas. Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, poderá fazer acenos a ele antes da posse, ressaltando a importância do cargo para a articulação entre Legislativo e Executivo.

O cenário político atual mostra que Motta mantém pontes não apenas com a direita, mas também com o governo Lula, conforme indicado pela sua reunião com o presidente no início de outubro, em que Lula comentou que Hugo Motta apoiaria sua reeleição. Durante o primeiro turno, Motta manifestou publicamente seu apoio a Lula, movimento considerado estratégico para fortalecer candidaturas eleitorais em sua base na Paraíba.

Por outro lado, o partido Republicanos, ao qual Motta pertence, declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o que pode complicar a reeleição de Motta caso Bolsonaro vença, dada a polarização das alianças políticas.

Contudo, aliados de Motta acreditam que manter diálogo amplo, incluindo os partidos de esquerda, será fundamental para a obtenção dos votos necessários para garantir a manutenção dele na presidência da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027.

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