Tarifas e guerra no Irã pressionam economia americana
Decisões de Trump sobre tarifas e guerra no Oriente Médio elevaram custos e influenciam votação legislativa nos EUA.
As medidas adotadas pelo ex-presidente Donald Trump, como tarifas de importação e o aprofundamento do conflito com o Irã, têm sido apontadas como fatores que elevaram o custo de vida nos Estados Unidos e complicaram o cenário político para o Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato. A avaliação é da professora de Relações Internacionais Ana Carolina Marson, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), que participou do programa Mapa de Risco especial sobre as eleições de meio do mandato nos EUA, do InfoMoney.
Durante a participação, Ana Carolina explicou que as tarifas impostas por Trump têm impacto direto nos preços dos bens e serviços ao consumidor americano. Isso acontece porque essas tarifas aumentam o custo dos produtos importados e dos insumos utilizados pela indústria doméstica. Ela destacou que, apesar de haver uma tentativa de estimular a indústria nacional, muitos setores ainda dependem de fornecedores estrangeiros para semicondutores e minerais críticos. Essa dependência limita o efeito das tarifas como medida para fortalecer a produção interna e reduzir vulnerabilidades econômicas.
Além disso, a crise no Oriente Médio, especialmente o conflito com o Irã, também contribuiu para o aumento da pressão sobre os preços. O conflito no Golfo Pérsico afetou o mercado internacional de petróleo, elevando custos de combustíveis e influenciando a inflação. Para Ana Carolina, a guerra no Irã foi um fator decisivo que complicou a situação econômica dos Estados Unidos, sobretudo porque contrastava com a promessa eleitoral de Trump de evitar envolvimentos militares custosos.
A professora ressaltou ainda a falta de clareza nas metas militares dos Estados Unidos nessa operação, o que dificultou a defesa política do conflito perante a opinião pública. A conjunção dos efeitos das tarifas, do preço da energia e dos gastos militares refletiu na percepção negativa dos eleitores em relação à economia, tornando as eleições legislativas de 2026 um desafio para os republicanos.
O jornalista de internacional do InfoMoney, André Lucena, complementou que a insatisfação dos eleitores também está relacionada a transformações estruturais da economia americana, como a redução de empregos na indústria e o aumento do custo de vida. Ele avaliou que recuperar a capacidade produtiva dos EUA exige mais do que a imposição de tarifas.
Embora Donald Trump não concorra nas eleições de meio de mandato, o pleito será visto como um referendo sobre sua administração e sua influência no país. Os votos decidirão se a maioria no Congresso, que dá sustentação ao governo, será mantida ou alterada diante das dificuldades econômicas enfrentadas na gestão passada.
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