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Milhares protestam em Praga contra cortes nas emissoras públicas tchecas

Funcionários e manifestantes rejeitam plano do governo que reduz financiamento e ameaça independência da mídia pública na República Tcheca.

Milhares de pessoas, incluindo estudantes universitários e artistas, saíram às ruas de Praga e outras cidades da República Tcheca nesta terça-feira para protestar contra um plano do governo que prevê corte no financiamento da televisão e rádio públicas do país. Ao mesmo tempo, profissionais dessas emissoras realizaram uma greve de 24 horas contra a medida.

O plano do governo transferiria recursos para o orçamento do Estado, o que, segundo funcionários e manifestantes, ameaça a independência e a viabilidade das emissoras públicas. Eles exigem a retirada da reforma, que já passou por uma votação preliminar e aguarda novo debate no Parlamento.

Impactos e controvérsias sobre a reforma

A proposta prevê o fim da taxa mensal de radiodifusão de 205 coroas (equivalente a US$9,43) que atualmente financia a mídia pública. O corte de cerca de 15% no orçamento reduziria a verba da televisão ao nível de 2008 e da rádio ao nível de 2005, valores considerados insuportáveis pelos profissionais da área.

Durante a greve, a Televisão Tcheca exibiu imagens incomuns, com uma redação às escuras e apresentadores vestidos de preto lendo roteiros, demonstrando a paralisação. A mobilização incluiu uma marcha da sede da Televisão Tcheca até a Praça Venceslau, em Praga, onde milhares manifestaram apoio.

Os partidos da coalizão governamental, liderados pelo primeiro-ministro bilionário Andrej Babis, e apoiados por grupos de extrema-direita e eurocéticos, defendem a reforma alegando preocupação com o custo para as famílias. Babis afirmou que não há intenção de controlar a mídia pública e que mudanças poderão ser discutidas com garantias legais contra interferências.

Reações e preocupações ampliadas

Críticos da reforma apontam que a mudança na forma de financiamento elimina a relação direta entre os pagadores da taxa e as emissoras públicas, abrindo espaço para pressões políticas no conteúdo da mídia.

O repórter Jan Molacek, do comitê de greve, afirmou que o projeto, apresentado de forma repentina, visa concentrar influência política sobre os veículos públicos, referência feita a reformas similares implementadas na Hungria pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado de Babis que consolidou uma rede de mídia pró-governo ao longo de 16 anos.

Entre os manifestantes, a estudante Alena Jechova, de 23 anos, declarou seu desejo de que a mídia continue livre, expressando a preocupação de parcela significativa da sociedade tcheca com a preservação da independência jornalística.

Tags: ProtestosRepública Tchecafinanciamento públicogrevemídia pública

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