EUA dizem ter pedido retorno livre de María Corina Machado
Secretário de Estado americano afirma que governo Trump solicitou permissão para retorno da líder opositora ao país.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira, 26, que o governo Trump comunicou às autoridades interinas da Venezuela, há várias semanas, que a líder da oposição María Corina Machado deveria ter permissão para retornar ao país, enquanto a Venezuela se prepara para as eleições previstas para 2027.
Segundo Rubio, em teleconferência com repórteres, o governo interino venezuelano, representado por Delcy Rodríguez, respondeu aos EUA afirmando que María Corina Machado estaria liberada para entrar na Venezuela. Machado de fato retornou ao país no final de semana.
Rubio disse ainda que os EUA não desencorajaram a volta da opositora, salvo imediatamente após os fortes terremotos em junho, momento em que a prioridade era assegurar a entrada de ajuda humanitária de emergência no país. "Há semanas e semanas, conversamos com as autoridades interinas e simplesmente dissemos: ‘Olhem, nossa expectativa é que ela seja venezuelana, que seu lugar seja em seu país. Esse é o país de onde ela vem. Ela deve ter permissão para retornar. Ela deve poder voltar sem qualquer impedimento'", declarou o secretário americano.
Acompanhamento do processo eleitoral
Rubio falou após um acordo entre autoridades venezuelanas e oposicionistas na semana passada, que envolve um plano de reforma do processo eleitoral para que eleições livres e justas possam ocorrer em 2027.
Segundo ele, o governo Trump, que em janeiro capturou Nicolás Maduro em operação militar e o levou aos Estados Unidos para responder por acusações de tráfico de drogas, acompanha de perto os acontecimentos e pressiona para que todas as partes respeitem o novo processo.
"Precisamos usar nossa influência junto ao governo para que as autoridades interinas garantam que o processo avance de maneira responsável", afirmou Rubio, ressaltando que o objetivo é a realização de uma eleição legítima.
Contexto de María Corina Machado
Machado passou grande parte de 2025 escondida na Venezuela antes de fugir clandestinamente para a Noruega em dezembro daquele ano, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Posteriormente, entregou a medalha ao presidente Donald Trump.
Seu retorno ao país marca sua primeira aparição pública desde que os Estados Unidos destituíram Maduro e o substituíram por Delcy Rodríguez, que ultrapassou o prazo autorizado para exercer o cargo sem que nenhuma eleição tenha ocorrido.
Desafios para eleições confiáveis
De acordo com Rubio, para que eleições legítimas ocorram, a Venezuela precisa estabilizar sua economia e reconstruir suas instituições, incluindo o judiciário e o conselho eleitoral. Além disso, é fundamental garantir espaço aberto à expressão política, fundamentado na liberdade de imprensa e no acesso amplo aos meios de comunicação, inclusive plataformas digitais.


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