Charles destaca compromisso para superar legado histórico da escravidão
Rei Charles destacou a necessidade de aprender com o passado da escravidão e anunciou apoio a ex-colônias na cúpula em Antígua e Barbuda.
O rei britânico Charles reafirmou sua determinação em corrigir os erros históricos causados pelo tráfico transatlântico de escravos, durante reunião com líderes da Comunidade Britânica, nesta terça-feira (3), em Antígua e Barbuda. Embora nem ele nem o Reino Unido tenham formalizado pedidos de desculpas ou discutido indenizações, o monarca ressaltou que a compreensão dos horrores da escravidão o comprometeu a construir parcerias modernas para enfrentar os desafios contemporâneos.
"Este capítulo vergonhoso da história enche meu coração de horror e minha alma da mais profunda tristeza pessoal", declarou Charles no discurso de abertura, destacando que o comércio transatlântico de pessoas escravizadas ainda lança sombra sobre as nações integrantes da Comunidade.
O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, também participou da cúpula, posicionando-se mais abertamente do que seus antecessores sobre a possibilidade de um pedido oficial de desculpas pela escravidão e admitindo que conversas estão em andamento para decidir a forma desse reconhecimento.
Além das questões históricas, ambos líderes enfatizaram a importância de usar a Comunidade Britânica para promover iniciativas atuais nas áreas de mudanças climáticas, educação, saúde e desenvolvimento econômico. Burnham anunciou um investimento de 40 milhões de libras (equivalente a US$54 milhões (cerca de R$ 268,1 milhões, na cotação de 03/11)) a ser aplicado em infraestrutura no Caribe nos próximos três anos, e demonstrou interesse em discutir a reestruturação da dívida para economias menores do bloco.
O rei Charles chamou a atenção para a necessidade de superar desigualdades, mencionando acesso a educação, emprego e comércio entre os países membros como caminhos para fortalecer a resiliência regional. "Não podemos mudar as ações daqueles que vieram antes de nós, mas podemos aprender com o passado", destacou.
Ele finalizou sua fala com uma metáfora, ressaltando o controle limitado sobre as circunstâncias herdadas, mas a possibilidade de escolher atitudes no presente: "não podemos comandar os ventos... mas podemos escolher como içar nossas velas".
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