Ataques com drones no Mar Negro matam 30 e aumentam tensão da Otan com Rússia
Drones russos atingem navios mercantes perto de Romênia e Bulgária, aumentando tensão no Mar Negro e riscos para países da Otan.
Ataques recentes com drones atingiram ao menos nove navios mercantes nas proximidades da Romênia e da Bulgária, membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no Mar Negro. Segundo autoridades locais e serviços de monitoramento marítimo, cerca de 30 marinheiros morreram ou estão desaparecidos nesses episódios ocorridos em outubro de 2026.
Os ataques ocorreram principalmente nas proximidades do Canal de Sulina, que conecta o rio Danúbio ao Mar Negro em território romeno e é uma rota essencial para as exportações ucranianas. Um dos navios foi atacado em águas territoriais da Romênia, enquanto outros estavam nas zonas econômicas exclusivas da Romênia ou da Bulgária.
Em 25 de outubro, o Ministério da Defesa da Rússia declarou responsabilidade pelo ataque a um cargueiro em rota ao porto ucraniano de Chornomorsk, justificando a ofensiva como resposta a meses de ações ucranianas contra navios em portos russos localizados no Mar Negro e no Mar de Azov.
Por sua vez, o governo búlgaro comentou que alguns ataques parecem favorecer os interesses de Moscou. A Rússia nega ter os países vizinhos da Ucrânia como alvo e acusa os governos europeus de agravar o conflito ao enviar armamentos para Kiev.
Reagindo aos incidentes, a Otan anunciou em 20 de outubro o reforço do seu flanco leste no Mar Negro, enviando aeronaves de patrulha marítima, radares e drones. Apesar disso, os ataques prosseguiram, incluindo o afundamento, em 28 de outubro, do porta-contêineres “Contship Jet” na zona econômica búlgara, com todos os 18 tripulantes resgatados.
O presidente da Romênia responsabilizou a Rússia por ataques que têm causado mortes e desaparecimentos, além de ameaçar a segurança da navegação na região. Estes incidentes aumentam o receio de eventuais confrontos envolvendo países da Otan e elevam a tensão na delicada zona do Mar Negro.
Além do contexto militar, a guerra tem afetado cadeias logísticas essenciais. A Romênia, cujo litoral abriga o projeto de gás offshore Neptun Deep, está prestes a se tornar a maior produtora de gás da União Europeia em 2027 e tem o porto de Constanta, que tem sido alternativa para a exportação ucraniana.
Enquanto isso, os portos ucranianos do Mar Negro, que concentram a maior parte da exportação de grãos do país — um dos maiores fornecedores globais de trigo e milho —, sofrem bloqueios e ataques que prejudicam significativamente a logística de commodities como grãos e petróleo.
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