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Eleitores de MT votam para presidente após 27 anos

Eleitores de Mato Grosso recordam restrições do regime militar e ressaltam importância do voto direto retomado em 1989.

1 de 4 Marco Assumpção, Maria de Fátima e Edson Spenthof enfrentaram parte da juventude durante a ditadura militar e só puderam votar para presidente após os 27 anos.
1 de 4 Marco Assumpção, Maria de Fátima e Edson Spenthof enfrentaram parte da juventude durante a ditadura militar e só puderam votar para presidente após os 27 anos. — Foto: Reprodução

Em Mato Grosso, moradores que viveram o período da ditadura militar no Brasil lembram como foi participar das primeiras eleições presidenciais após o regime autoritário, que durou 21 anos. Muitos deles só conseguiram votar para presidente pela primeira vez após os 27 anos, na eleição direta de 1989.

A suspensão do voto direto para presidente ocorreu durante o regime militar instaurado em 1964. Nesse período, os cidadãos não votavam diretamente para escolher o chefe do Executivo federal, sendo realizadas eleições indiretas ou indicadas autoridades por meio do Congresso Nacional ou Colégio Eleitoral.

Infográfico: Histórico eleitoral no Brasil (1932–atualidade)
Arte/gnews

Experiências pessoais e a retomada do voto direto

Maria de Fátima Rodrigues, cineasta e pesquisadora, votou pela primeira vez para presidente aos 35 anos, no pleito de 1989, após a redemocratização do país. Ela destacou que durante a ditadura, a participação feminina na política era limitada e muitas vezes influenciada por maridos e figuras masculinas da família. A partir da Constituição de 1988, sua consciência política se fortaleceu, culminando em maior autonomia nas decisões eleitorais.

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Marco Assumpção, médico-veterinário, narrou que votou pela primeira vez para presidente aos 33 anos, em 1989. Ele recorda o período de censura e repressão e ressalta que a retomada do voto direto foi fruto de um intenso movimento popular que contou com a participação de trabalhadores, estudantes e sindicatos.

O jornalista e professor Edson Spenthof, que votou pela primeira vez para presidente aos 27 anos, também relembrou sua vivência na zona rural durante a ditadura. Destacou episódios de restrição da liberdade e a importância do movimento Diretas Já que, mesmo sem aprovação imediata da emenda que propunha eleições diretas, criou condições para a Constituição de 1988 garantir o voto direto em 1989.

O papel de Mato Grosso e a Emenda Dante de Oliveira

O deputado federal Dante Martins de Oliveira, natural de Mato Grosso, foi protagonista do movimento pela redemocratização ao apresentar a emenda que propunha a retomada das eleições diretas para presidente. Apesar de não ter sido aprovada em 1984 (faltando 22 votos para o quórum necessário), a mobilização popular derivada dessa pauta contribuiu para o restabelecimento do voto direto na Constituição Federal de 1988.

As dificuldades enfrentadas durante a ditadura e a luta pela redemocratização evidenciam para os eleitores ouvidos a importância de preservar o voto como instrumento fundamental para a democracia. Mesmo após os 70 anos, quando o voto passa a ser facultativo, eles ressaltam o compromisso em participar das eleições para escolher seus representantes.

Contexto das eleições em Mato Grosso em 2026

Neste domingo (25), cerca de 2,6 milhões de eleitores de Mato Grosso votarão para presidente da República em uma disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula, utilizando a urna eletrônica com biometria ou título digital.

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