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3 advogados investigados por falsificar decisão para transferir preso

Operação investiga fraude na tentativa de antecipar transferência de preso federal para penitenciária estadual em Cuiabá.

Policial civil em operação
Foto: Agência Brasil

Três advogados são investigados em Mato Grosso por suspeita de falsificar uma decisão judicial para beneficiar a transferência do preso Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus, conhecido como Miro Louco, líder do Comando Vermelho (CV) no estado. A Operação Reescrita, deflagrada pela Polícia Civil nessa quarta-feira (28), apura a falsificação do documento que poderia antecipar a transferência do detento de uma penitenciária federal no Paraná para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

Os advogados Felipe Augusto Dorilêo de Rezende, Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros e Gerson Tomé Trevisol são suspeitos de envolvimento na fraude. Uma das profissionais é apontada como autora da alteração do arquivo, enquanto os outros dois teriam apresentado o documento aos órgãos judiciais.

Contexto da investigação

A suspeita surgiu em dezembro de 2025, quando servidores identificaram que o documento apresentado pela defesa para solicitar a transferência de Miro Louco apresentava sinais de edição fora do sistema eletrônico oficial da Justiça. A decisão que autorizaria medidas facilitando a antecipação da transferência não constava no processo e apresentava código de validação de outro procedimento.

Leia também: Três advogados são investigados por falsificar decisão em MT

Em junho de 2025, a defesa já havia solicitado a transferência do preso da penitenciária federal para Cuiabá. Em novembro do mesmo ano, os advogados procuraram um setor judicial da capital com uma cópia da suposta decisão, que não foi emitida pelo magistrado responsável.

Perfil do detento e implicações

Miro Louco possui 17 condenações que somam 93 anos de prisão, incluindo uma condenação recente em 2024 pelo assassinato de um jovem em 2015. Atualmente, cumpre pena na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

A decisão falsificada poderia antecipar sua transferência para a PCE, em Cuiabá, descumprindo o prazo estabelecido pela Justiça.

Medidas legais e prossiguição da investigação

A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão para coletar celulares, computadores, documentos e outros arquivos relacionados à investigação. Os advogados são investigados pelos crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso e participação em organização criminosa.

A Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso acompanha a operação e informou que o caso será avaliado pelo Tribunal de Ética e Disciplina para possíveis sanções.

Um dos advogados suspeitos declarou em nota que denunciou anteriormente um documento suspeito ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) e nega ter conhecimento da irregularidade na criação ou uso do arquivo falso, afirmando que está colaborando com as investigações.

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