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Incêndio destrói casa de reza de Guarani Kaiowá em Tacuru

Incêndio destruiu casa de reza na aldeia de Tacuru (MS); suspeita inicial aponta curto-circuito, mas intolerância religiosa não é descartada.

Incêndio em casa é investigada pela PCMS
Incêndio em casa é investigada pela PCMS — Foto: Arquivo pessoal

Uma casa de reza da comunidade indígena Guarani Kaiowá, localizada na aldeia da região de Jaguapiré, em Tacuru, Mato Grosso do Sul (MS), foi destruída por um incêndio na manhã desta quinta-feira (29). Ainda não há confirmação oficial sobre a causa do fogo.

Moradora relata ter perdido tudo após fogo atingir casa em MS
Moradora relata ter perdido tudo após fogo atingir casa em MS — Foto: Arquivo pessoal

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) enviou um representante ao local para apurar as circunstâncias do incêndio, e a Polícia Civil do estado também foi acionada para realizar perícia na residência.

A rezadora tradicional Roberta, de 83 anos, na frente da casa destruída
A rezadora tradicional Roberta, de 83 anos, na frente da casa destruída — Foto: Arquivo pessoal

A suspeita inicial entre os investigadores é que o incêndio tenha sido provocado por um curto-circuito em uma panela elétrica. Entretanto, a possibilidade de um incêndio criminoso, inclusive motivado por intolerância religiosa, ainda está sendo avaliada e não foi descartada.

Suspeita de intolerância religiosa por parte da rezadora tradicional

Roberta, de 83 anos, proprietária da casa — que também é uma rezadora tradicional da comunidade — suspeita que o incêndio tenha ocorrido por intolerância religiosa. Ela relatou que o fogo destruiu sua casa e os objetos usados nas práticas religiosas Guarani Kaiowá.

Segundo Roberta, há cerca de três anos ela já havia sofrido outro ataque na mesma residência. Ela contou ainda que ela e a irmã, de 84 anos, com quem divide a casa, costumam realizar orações juntas à noite. Na noite da quarta-feira (28), antes do incêndio, ambas rezaram normalmente.

Pela manhã, por volta das 6h do dia 29, a irmã de Roberta percebeu o fogo após sair para fora da casa e conseguiu alertar a comunidade local e a própria Roberta.

As irmãs informaram que a porta dos fundos da casa estava aberta, e que o imóvel não possui instalações elétricas complexas nem botijão de gás, o que faz com que elas suspeitem que o incêndio não tenha sido acidental.

Roberta também descreveu que sofre preconceito por seguir as tradições religiosas guarani. Segundo ela, pessoas de outras crenças chegam a acusá-la de bruxaria e rejeitam suas orações, mesmo que elas tenham a intenção de pedir saúde e proteção.

Prejuízos ainda não calculados

Uma liderança indígena que acompanha o caso informou que os danos causados pelo incêndio ainda não foram quantificados. O processo de investigação sobre as causas do incêndio está em curso, sem confirmação oficial se o fogo foi causado por falha elétrica acidental ou crime motivado por intolerância religiosa.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul é responsável pela investigação do caso, cujo desfecho ainda é aguardado pelas comunidades e representantes indígenas da região.

Tags: FunaiGuarani KaiowáIncêndioIntolerância religiosaTacuru

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