Eisenkot busca votos para formar coalizão após Netanyahu perder maioria em Israel
Eleições em Israel mantêm impasse: Netanyahu ainda maior partido, mas sem maioria, enquanto Eisenkot busca apoio para formar governo.
Israel vive um impasse político uma semana após as eleições realizadas em 27 de outubro de 2026. O partido de Benjamin Netanyahu, o Likud, manteve-se como o maior grupo parlamentar, mas perdeu a maioria no Knesset, o Parlamento israelense.
Na eleição atual, o bloco liderado por Netanyahu obteve 53 cadeiras, abaixo das 61 necessárias para governar. Em 2022, a coalizão dele, formada por Likud, partidos ultraortodoxos e de extrema-direita, detinha 64 assentos.
Já a oposição, encabeçada por Gadi Eisenkot, conquistou 48 cadeiras, enquanto as duas listas árabes, Lista Conjunta e Ra’am, somaram 19 lugares no Parlamento.
O presidente israelense Isaac Herzog iniciou em 4 de novembro consultas com os partidos para saber quem preferem que forme o governo. Herzog tem prazo até 11 de novembro para indicar o líder com maior chance de formar uma coalizão de ao menos 61 deputados.
O apoio das cadeiras árabes será decisivo para formar governo. Se ambas as listas endossarem Eisenkot, ele teria 67 votos favoráveis, superando a maioria necessária, embora tais partidos possam não ocupar ministérios.
Por outro lado, a Lista Conjunta já indicou que não deseja essa situação. Historicamente, somente o partido Ra’am participou de um governo israelense, na coalizão de 2021 liderada por Naftali Bennett e Yair Lapid.
Netanyahu contestou a legitimidade do apoio das legendas árabes, acusando-as, sem provas, de fraudes eleitorais. A Comissão Eleitoral Central revisou mais de 9 mil urnas e concluiu que as eleições ocorreram com integridade, encerrando qualquer dúvida.
A oposição tentou formar um "governo de emergência nacional" para evitar novas eleições, reunindo partidos que vão da esquerda à direita nacionalista. No entanto, diferenças persistem, sobretudo pelas condições impostas por Eisenkot a aliados, como o reconhecimento de Israel como Estado judeu e a classificação do Hamas como organização terrorista.
Dentro da oposição, há resistência a alianças formais com partidos árabes. Enquanto Bennet e Avigdor Liberman rejeitam tal pacto, Yair Golan defende a inclusão, e líderes árabes apontam para a necessidade de pragmatismo político.
Perfil de Eisenkot e desafios de Netanyahu
Gadi Eisenkot, de 66 anos, teve carreira militar na Brigada Golani e comandou as Forças Armadas israelenses entre 2015 e 2019, nomeado então pelo governo Netanyahu. Na política desde 2022 pelo partido de Benny Gantz, ele fundou em 2025 o Yashar, que já é o segundo maior partido do Parlamento.
Para Netanyahu, perder o governo significa enfrentar fora do poder duas frentes: a criação de uma comissão estadual para apurar as falhas do ataque de 7 de outubro de 2023, e o avanço de seus processos judiciais por corrupção, abertos desde 2020, nos quais nega as acusações.
Netanyahu apresentou pedido de perdão ao presidente Herzog em 2025, com apoio do então presidente dos EUA, Donald Trump, mas a resposta está pendente. Enquanto isso, suas audiências judiciais têm sido adiadas por compromissos oficiais, como a guerra com o Irã.
Veja também
Votação nos EUA transcorre tranquila apesar de temores de interferência
Em Mundo
Trump atribui derrota no Texas a governador republicano e sinaliza veto
Em Mundo
Kremlin espera que eleições nos EUA não prejudiquem esforços de paz de Trump
Em Mundo
Democratas dominam Senado e Câmara; Trump segue presidente até 2027
Em Mundo
Governos reagem à vitória dos democratas e destacam efeitos globais
Em Mundo




Comentários
Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.